O Novo Ser

A lavanda e o Café

O Novo Ser

Tudo no universo começa com três, não sei dizer o porquê, talvez seja culpa do dúbio, ou quem sabe do paralelo, afinal nada é mais pretensioso do que duas coisas que não se tocam, como a lavanda e o café, a suavidade e o entusiasmo. Se por acaso existe-se somente os dois, ela e ele nunca viveriam esse conto de amor.

Todas as manhãs, ela despertava macia, quase tão lenta quanto a pena surfando na brisa, a calmaria exalava por entre sua delicada beleza lilás. Ela tocava a rotina feliz, no entanto, não sabia o que era o êxtase.

Já para ele as manhãs eram como as migrações dos gnus, agitadas, animadas, perigosas. Sempre foi concretizador, mas nunca conseguiu experimentar a tão famosa serenidade.

Até que depois de uma longa noite de calor intenso, o amanhecer recebeu a incomum visita do decidido vento e este arrastou consigo uma pequena porção lilás apenas para entregá-la ao sumo negro postado entre a circular terracota. A infusão de um com o outro provocou tamanho equilíbrio que sua força sucumbi a dualidade, ela e ele aprumaram a trindade e o novo ser aflorou, se apaixonou.