Meu café

Café

Meu café

Seja doce seja amargo o meu dia começa por ele, meu café. O meu vício favorito, aliás meu único vício, desde criança eu me levantava e sentia um cheiro doce, que sempre chamava minha atenção. Minha avó acordava sempre cedinho. Me recordo dela uma senhora alta, ela não era rechonchuda, acho que mais parecia ser grandona, mesmo com quase 70 anos, lembro que ela tinha longos cabelos negros, amarrados em um coque perfeito bem no alto da cabeça. Ela tinha gestos muito lentos, parecia um bailado, colocava uma caneca grande para ferver água, e usava um bule velho e um tanto descascado com um coador de pano, que ela mesma fazia com panos extremamente brancos e costurados à mão, o café vinha em grãos, não como hoje embalados à vácuo. Ela tinha um moedor e lentamente moía aqueles grãos perfumados, colocava então colheradas do pó no coador e em seguida a água, e aí o aroma atravessava os ambientes da casa, e todos corriam à cozinha e de canecas na mão esperavam. Minha vózinha derramava o café, que descia como suave cascata de amor, desfiando carinhos aos filhos e netos. Saudades, era bom demais da conta esse café da minha avó Zefinha.

Café e Açúcar