Os Cristais que Correm De Mim

Cristais de Areia

Os Cristais que Correm De Mim

 

Era como areia, sentia dispersando.

Cristais pequenos e ariscos, e de nada adiantaria fechar a mão, pois escorriam-se muito mais rápido…

E pra cada grão que caia, um fantasma brotava para lhe sugar a alma, consumida de memórias como alguém que se encontra de frente há um cinema. 

Mas não havia pipocas.

Nem telão.

Versos então? Já iam há uma vasta distância, longe de seu coração.

Puído, traumatizado e esmigalhado.

Era hora de ir, sua hora, a hora que escolheu… Poucas coisas escolheu na vida de fato.

Porque o desfecho todo mundo já sabia.

Desespero, dor e tristeza.

Aspereza de sentimentos com os quais teria que lidar, e sempre lidaria.

Afinal, do destino não há sempre uma bela saída, a qual pintamos de prata e marfim nosso belo fim. E da mais bela sinfonia, digo, singela:

— Foi tocada a última tecla, o Gran Finale, o mais belo show, o seu show!

E então, um gosto metálico na boca, o show se findou.