II

Sonhei com Você

II

Eu não gostava dessas festinhas. Sempre acabávamos num canto, só eu e você, vendo a conversa. Até que nos divertíamos de vez em quando, bem de vez em quando. Preferia ficar em casa tranquila, ver algum filme, dormir cedo.

Nem pensei em não ir naquela.

Todas as noites sonhei com ele. Cinco vezes seguidas ele surgiu em meus sonhos, e jogou-me seus olhares, seu
charme inegável, tirou meu torpor emocional e arrancou mais do que só riso. Eu tinha aqueles olhos gravados na mente,
ainda presentes depois que eu acordava. Nos primeiros momentos da manhã eu continuava no sonho. Continuava presa nele. Com o dia isso ia sumindo, mas não por completo. Precisava vê-lo. Não era mais lógico.

Na festa eu vi, e a noite tornou-se sonho. Não. Melhor.

As palavras eram mais reais, os olhos mais intensos, os lábios mais macios. Sentia as mãos passeando pelo meu rosto,
minhas costas, meu cabelo, e meu corpo respondia. Os sussurros que vinham quando nos separávamos faziam meu peito esfriar e esquentar, meus lábios abrirem-se em deleite. Deixei-me levar.

Fomos os últimos a sair da festa, e nos despedimos no que pareceu uma eternidade. Quase pedi para ele não ir embora.
Mas pedi, e ele se foi, num sorriso leve. No sonho daquela noite a festa durava dias, só nós dois, a música baixa, os lábios e os sussurros.

III