A noite

SasuHima

A noite

Tempestades o deixam inquieto, era o que ele gostaria de dizer para se justificar, mas seus pensamentos não o deixam dormir mesmo quando o tempo está bom. Desde que Itachi morreu de câncer, ele sente como se faltasse uma parte sua. Sua vida foi uma sucessão de tragédias, desde o assassinato dos pais até a doença do irmão e os problemas diários que o fazem terminar os dias se afogando em uísque.

A campainha tocou e ele olhou surpreso para o relógio. Quem estaria fazendo uma visita àquela hora da noite? Ele se levantou calmamente e andou até o interfone – se a pessoa queria ser atendida teria que esperar. Quando ligou o monitor, uma menina de cabelos roxos e grandes olhos azuis, com marcas na bochecha, o encarava de volta, sorrindo.

– Boa noite, tio Sasuke.

– O que faz aqui, Himawari?

– Eu acabei sendo pega pela tempestade e não consigo chegar em casa. Será que eu posso ficar aqui essa noite, até conseguir que alguém venha ver o meu carro?

Ele desligou o monitor e abriu o portão, deixando a menina entrar. Suas roupas estavam molhadas e ela tremia um pouco. Por mais que ele mantivesse uma aparência rígida, não iria deixá-la na rua no meio da noite.

– Obrigada.

– Não se preocupe. Você pode ficar no quarto de hóspedes e... eu sugiro que tome um banho quente. Vou pegar uma toalha e algumas roupas da Sarada para você.

Ela acenou com a cabeça e subiu para onde ele havia apontado. Estava surpresa que ele realmente a tivesse deixado entrar, ao invés de chamar um táxi ou algo assim para levá-la embora. Aquela noite não estava sendo das melhores e ir para casa apenas para encontrar seu irmão e a namorada se pegando não iria melhorar seu humor.

Ela abriu a porta do banheiro e acendeu a luz, tirando primeiro o casaco molhado e colocando num canto no chão para não sujar nada do banheiro impecável de sua tia. Sasuke chegou logo depois com as roupas e uma toalha, deixando-as em cima da pia.

– A tia Sakura não está?

– Ela viajou para ver os pais dela, e a Sarada está com o seu irmão.

– É... eu sei.

Aquilo deve ter parecido mais duro do que ela imaginou, porque Sasuke franziu a sobrancelha, surpreso.

– Eu imagino que eles estejam na minha casa, já que não tem mais ninguém lá essa noite. Por isso eu vim para cá.

– Você não deveria estar lá?

Ela não tinha certeza se devia conversar com o tio sobre isso, mas devia pelo menos uma explicação e para isso precisa contar pelo menos parte da história.

– Eu deveria estar numa festa com minhas amigas, mas elas me deixaram lá e foram embora, então peguei o carro vim para cá.

Sasuke prestou atenção na roupa dela – realmente, era um vestido de festa muito bonito. O tecido roxo estava grudado ao corpo da menina, deixando à mostra a armação do sutiã. Ele moveu os olhos de volta para a pilha de roupas em cima da pia, tentando esquecer o que tinha acabado de ver.

– É por isso que não vou a festas.

Nem mesmo quando ele era jovem – e Naruto costumava convidá-lo para todo o tipo de encontro social – ele se recusava a ir. Quando a empresa faz algum evento, ele fica apenas o bastante para cumprir seu papel. Nunca teve muito interesse em se socializar e sempre ficou muito surpreso com o interesse que as mulheres demonstram nele.

– Eu pensei que seria divertido, mas aprendi a lição.

– Faz bem.

Era a primeira vez que ele realmente prestava atenção na sobrinha. Ela tinha crescido muito assim como Sarada, e provavelmente dava muito trabalho ao pai por ser tão parecida fisicamente com Hinata. Ele tinha que admitir que o amigo se casou com uma linda mulher, apesar de nunca ter se interessado por ela ou por nenhuma outra. Sua afeição pela esposa era apenas isso, eles se conheceram quando crianças e ela esteve ao seu lado durante todos os momentos bons e ruins.

– Se precisar de algo mais é só avisar.

Sem dizer mais nada ele deixou a menina sozinha para que pudesse tomar banho e voltou para a sala, pegando outro copo de uísque. A tempestade tinha piorado como se estivesse esperando ela chegar para terminar de cair com força total. Até mesmo o tempo estava a favor dela. Ele sorriu com o pensamento ridículo.

Hima tirou o restante da roupa e tomou um longo banho quente. Enquanto relaxava ela recordou que seu tio não parecia surpreso por saber que a filha estava passando a noite sozinha com o namorado. Mesmo assim, esperava não ter colocado os dois em uma enrascada, apesar de ser tarde demais para pensar nisso. Quando o cheiro do sabão havia se sobreposto ao fedor de bebida, ela se troca e sai do banheiro, procurando algo para fazer por não estar com sono.

Descendo a escada com cuidado, ela entra na sala e encontra Sasuke sentado em uma poltrona perto da janela, bebendo.

– Eu pensei que estaria dormindo.

– Não estou com sono, você pode ir descansar.

– Também não estou com sono. O que está bebendo?

Sasuke parou o copo na metade do caminho até a boca e o baixou novamente. Ele afasta os olhos da janela e se volta para a menina.

– Nada que seja do seu interesse.

– Eu já tenho idade o bastante para beber.

Sem saber como responder, ele toma mais um gole da bebida, surpreso em saber que a menina já tinha atingido a maioridade.

– Faça como quiser.

Ao invés de ir até o bar e pegar um copo para si, ela andou até a poltrona em que Sasuke está sentado e envolveu a mão dele com as dela, retirando delicadamente o copo e bebendo um gole. A menina fez uma careta quando o liquido queimou sua garganta. Sasuke já imaginava que isso fosse acontecer, porque se ela estivesse acostumada a beber teria reconhecido o uísque, pela cor ou pelo cheiro.

– Por que você bebe isso?

– Porque estou acostumado.

Hima anda até o sofá de frente para a poltrona e se senta olhando para a janela assim como Sasuke. A água lavava o vidro, tornando impossível ver qualquer coisa no jardim.

– Essa tempestade começou do nada, não é mesmo.

– É.

Sasuke não estava especialmente concentrado na chuva. Sua mente vagava entre possíveis problemas na execução de um dos contratos comerciais da empresa, e possíveis mudanças na bolsa de valores que afetassem as ações que ele acabou de comprar. Virando novamente para encarar a menina, ele começou a analisá-la.

O cabelo estava um pouco úmido, e a camiseta folgada. Ele se perguntou se ela ainda estava usando aquele sutiã que o vestido molhado marcou. As pernas estavam expostas porque ele não encontrou nenhum short de tamanho razoável no armário da filha. Até mesmo o cheiro do sabonete partindo dela pareceu preencher o ambiente.

Sua mente devia estar lhe pregando peças novamente. Não era a primeira vez que ele se interessava por uma pessoa – apesar de tudo ele ainda é humano – mas aquela é a filha de seu melhor amigo e ele está apenas interessado em seu corpo. Não vale a pena o trabalho.

– Será que está chovendo assim onde meus pais estão?

– Não.

Ela se virou para Sasuke, imaginando se era possível conseguir uma resposta completa dele para alguma coisa. Seria divertido tentar.

– Eu estou perturbando você?

Não, ela não estava perturbando ele. Suas tentativas de iniciar uma conversa eram até que agradáveis. Um dia Sakura tentou fazer o mesmo, mas ela desistiu logo, aceitando que ele apenas não queria conversar. Naquela noite, no entanto, ele parecia interessado em pelo menos responder. Será porque ele não quer magoar a menina ou teria outro motivo? Ele tomou mais um grande gole de uísque para tentar afogar esses pensamentos estranhos que se formaram em sua mente.

– Não particularmente. Eu só não sei como manter uma conversa longa com alguém.

– Mas no seu trabalho você não precisa falar com as pessoas?

Ela abaixa as pernas que estavam dobradas sobre o peito e coloca as mãos no sofá, inclinando o corpo para frente, curiosa.

– É diferente. Eu falo e eles escutam. Não é uma conversa casual. Eu sei o que preciso falar e sei o que quero ouvir.

– Você sempre tem tudo sobre controle?

A situação chegava a ser ridícula, porque ele estava aceitando que a menina se dirigisse a ele daquela forma. Nem mesmo sua esposa tinha permissão de interrogá-lo daquela maneira. Ele se sentia vulnerável e perturbado com a presença dela, a sala parecia mais quente do que deveria. Provavelmente porque as janelas estão fechadas para proteger da chuva.

Ela percebeu que devia ter dito algo errado pela demora em obter uma resposta. Era a primeira vez que realmente passava um tempo com o tio sem ser em algum evento ou festa de negócios. Seu coração batia forte e ela tentava ignorar a razão disso. Ter a atenção daquele homem era como um sonho, ela sempre o acompanhou de longe: fotos nas revistas, entrevistas na TV... uma respeitosa admiração pelo homem que ela sempre desejou poder conhecer melhor. Caso alguém lhe perguntasse com que tipo de homem ela gostaria de se casar, ela responderia com Sasuke Uchiha.

Não que a garota fosse boba de ignorar os problemas que vêm com isso. Sua tia várias vezes apareceu chorando devido a algo que Sasuke disse e que a magoou. Ela não tinha pretensão em mudá-lo, apenas acreditava que tinha mais escondido por baixo dos panos. Coisas que ele não estava disposto a dividir nem mesmo com a esposa. Será que ele conseguiria magoá-la como fazia com a tia? Ela gosta de pensar que não.

Seu coração começou a bater mais rápido em expectativa. Ele não estava olhando para ela e nem respondeu à pergunta. Dependendo do que viesse a seguir ela tentaria uma forma de pedir desculpas.

Sasuke se levantou da poltrona, colocou o copo de uísque no bar e andou até o interruptor do ventilador. A garota parecia preencher toda a sala com o seu calor, como se ela emanasse energia, tornando o ambiente pesado de uma maneira que o fazia se sentir desconfortável. Naruto tem o mesmo efeito sobre as pessoas, mas ele aprendeu a manter uma distância segura da luz para não acabar se distraindo com ela.

Seu psiquiatra provavelmente diria que ele está com medo de ser contagiado pela luz, de ser envolvido por ela de uma forma que tornaria impossível voltar atrás. Ele não tem medo de nada, apenas se afasta de coisas que considera desagraveis ou desnecessárias.

Ela acompanhou os movimentos de Sasuke enquanto ele ia até o bar e pegava mais um copo de uísque, depois voltava para a sua poltrona. Já estava pensando em uma forma de mudar o rumo da conversa quando a resposta finalmente veio.

– Na medida do possível.

Ele era inteligente o bastante para saber que nem tudo está sob seu controle. Se estivesse, a menina estaria dormindo agora, e não fazendo perguntas que o deixam desconfortável. São as perguntas ou será que é a presença dela que deixa o moreno desconfortável? Os dois, ele concluiu em sua mente.

– É por isso que decidiu se tornar empresário?

– Não, essa foi uma decisão fácil. A empresa simplesmente veio para as minhas mãos.

– Quando seu irmão morreu.

Ele finalmente a encarou, estreitando os olhos e afinando a boca, um claro aviso de que ela estava indo longe demais. Itachi não é um assunto que ele discuta com ninguém que não tenha o título de doutor na frente do nome. O que ele encontrou, no entanto, foi algo que não esperava. A menina o encarava de volta, sem parecer ter medo de seu aviso. A maioria das pessoas usava esse momento para se desculpar e tentar outro assunto, ou talvez ir embora. Ele estava esperando que Hima fosse escolher uma das opções, de preferência a segunda, mas seus grandes olhos azuis o encaravam com interesse.

Ela não estava disposta a ir embora tão facilmente. Queria saber mais sobre o homem sentado a sua frente e, a não ser que ele a pedisse, não pretendia dar para trás. Ela é uma Uzumaki e eles não são conhecidos por desistir rápido. Não que a tensão que tomou conta do ambiente não a afetasse, mas ela cresceu cercada de executivos poderosos e homens acostumados a terem suas ordens respeitadas, mas ela não é conhecida como Princesa por nada. Ninguém a faz abaixar a cabeça, nem mesmo o homem por quem ela tem interesse.

– Eu sinto muito.

Ao contrário do que se possa pensar, ela não estava se desculpando por ter falado sobre Itachi, mas sim por Sasuke ter tido que sofrer tanto durante a vida. Durante muito tempo ele esteve sozinho, até aceitar a ajuda do pai dela e os dois crescerem para se tornarem homens poderosos e respeitados.

Ela se levantou e andou até a lareira que está repleta de fotografias – provavelmente um feito de sua tia, porque Sasuke não parece o tipo de pessoa que gosta de recordar momentos e encarar fotos. O menino de oito anos a encarando parece uma pessoa totalmente diferente daquela que está sentada na poltrona bebendo. Os dois irmãos aparecem sozinhos em outra foto, mas já não são os mesmos. O sorriso é menor e eles parecem casados, uma parte dos dois se foi com os pais. A próxima foto tem Sasuke e Naruto na cerimônia de formatura do ensino médio. O pai dela está sorrindo como sempre, mas Sasuke mantem o rosto sério. Todas as próximas fotos são assim, até o nascimento de Sarada. Aquele foi provavelmente o único momento em que sorriu, quando ganhou uma nova família.

– Não precisa.

Tomando outro gole, ele imaginou quanto a menina sabe. Ela nunca perdeu ninguém próximo e nem mesmo sofreu durante a vida; nasceu em uma família rica com pais amorosos que sempre estiveram lá para ajudá-la. Ele não sentiu raiva por isso – pelo contrário, estava feliz que a menina não precisou se sentir assim.

– Sei que não, você se tornou a pessoa que é hoje justamente por causa disso.

Sasuke ficou surpreso com a resposta. Ele está acostumado com as pessoas sentido pena dele e não aceitando que tudo o que aconteceu em sua vida foi crucial para que se tornasse o homem bem-sucedido que é hoje.

– Fico feliz que pense assim.

Levantando-se da poltrona ele largou o copo de uísque na mesa e foi até a lareira para observar as fotos também, parando ao lado da menina. Ela é um pouco mais baixa do que ele, fazendo com que tenha que olhar para baixo. Hima não sentia pena de Sasuke, ele não seria o homem que ela admira se não fossem todas as tribulações pelas quais passou. Caso pudesse, ela mudaria a vida dele para que fosse mais feliz, mas isso não é possível. Talvez houvesse outra forma de fazê-lo feliz.

– Como ele era?

– Como Boruto é?

– Uma chateação.

Ela sorri e olha para cima, encontrando os olhos de Sasuke a encarando de volta. Surpresa, a menina sustenta o olhar dele, imaginando o que se passa na cabeça do homem.

– Ele cuidou de mim até o último instante, insistindo para que eu fosse à escola, para que eu conversasse com o seu pai. Itachi foi a melhor pessoa que eu já conheci.

Ele parou por um momento, voltando a encarar as fotografias. Os grandes olhos azuis que o encaravam estavam fazendo seu coração bater mais rápido. Era como se Hima estivesse tentando ler sua alma e ele a entregaria de mãos beijadas se ela pedisse.

Ela continuou acompanhando o moreno com os olhos. Sua expressão estava menos rígida do que ela estava acostumada a ver: seus lábios se inclinaram para cima ao falar do irmão, quase sorrindo. Como aquele sorriso dificultava a concentração dela.

– Eu sinto muito por não poder dar algo assim à Sarada.

– Um irmão?

Sasuke acena com a cabeça confirmando. Ele queria que a filha tivesse a responsabilidade e a alegria de cuidar de um irmão mais novo, alguém que dependesse e admirasse você como modelo.

– Ainda não é tarde. Você e a tia Sakura são novos.

Apenas os olhos de Sasuke viraram na direção da menina. Internamente ele se pergunta por que seu coração estava tão acelerado apenas por saber que ela não o considera um velho. Não é como se tivesse uma chance de se aproximar mais do isso, mesmo assim seu coração batia forte e rápido, como quando ele era mais novo e estava realmente feliz com algo. Fazia tempo que não se sentia assim, era um sentimento um tanto desconhecido já.

– Não é esse o problema.

Será que ele não sente mais o mesmo pela esposa? Sakura... ela se forçou a chamá-la pelo nome. Não é como se fosse uma estranha, mas se as coisas não estão bem entre os dois, talvez ela pudesse ter uma chance. Abaixando o olhar, ela tenta tirar esse pensamento da mente. É errado querer se aproximar de um homem casado, amigo do seu pai e pai da sua futura cunhada.

Vendo-a abaixar a cabeça, Sasuke franze a testa, se perguntando o que há de errado. Será que ela está triste com o fato dele não se dar mais tão bem com a esposa? Mas porque seria isso. Virando-se para encará-la, ele coloca uma mão em seu queixo, puxando-o para cima. Os dois estavam muito próximos, o bastante para ela conseguir reconhecer seu reflexo nos olhos negros dele. Durante algum tempo eles ficaram se encarando: ela pedindo permissão silenciosa para cruzar uma linha que não deveria; ele tentando entender até onde ela estaria disposta a ir.

Cansada de tentar lutar, ela se inclina para frente devagar dando a ele um ultimato. Caso fizesse qualquer movimento de rejeição, como empurrá-la para trás, soltar seu queixo ou se afastar e ela iria para o quarto como se nada tivesse acontecido. Sasuke não estava entendo os motivos dela, mas ele entendia as ações e se aproximou devagar, sem tirar os olhos dela até que estavam tão perto que não teve outra escolha a não ser fecha-los.

A escuridão foi o bastante para que mandasse a cautela para o espaço e seus lábios tocaram os dela pouco depois. Ele nunca acreditou em histórias sentimentais sobre borboletas no estômago, choques pelo corpo ou coisas parecidas, nunca havia sentido nada daquilo. O que ele sentiu foi uma leveza que nunca havia experimentado, seu corpo estava leve e seu coração principalmente, como se tocar os lábios dela tivesse lhe dado um momento de paz em meio a sua vida conturbada. Era errado e sua mente não cansava de lhe dizer isso, mas nem por um segundo ele pensou em se afastar.

Para ela, aquele beijo não era algo calmo e reconfortante, era uma sensação quente e envolvente, que tomou todo o seu corpo, naquele momento ela não era nada além da pessoa que ele estava beijando, todos os outros títulos não a incomodavam mais. Tudo que importava era que naquele momento Sasuke a estava beijando, ela podia cuidar das consequências depois.

A mão dele deixou o queixo dela, mas seus lábios não se desgrudaram. Sasuke passou os braços em torno da cintura da menina, aprofundando o beijo, pedindo permissão para ir além dos lábios. Ela colou as mãos em seu peito como se fosse empurrado e Sasuke teve medo de ter ido longe demais, mas os braços dela subiram para o seu pescoço, puxando-o para mais perto, não que fosse possível ou apropriado.

Com cuidado para evitar qualquer acidente, ele a virou para que pudesse se apoiar na lateral da lareira e se aproximou até que seus corpos estivessem completamente colados. Ele não se cansava de beijá-la, sua língua procurando novas formas de se encontrar, novos lugares para lamber. Sua mente foi invadida por imagens de Hima na sua cama e seu juízo finalmente o convenceu a parar quando sentiu o quão duro estava. Ele só continuaria se ela concordasse, mas não havia como negar o que seu corpo pedia.

– O que você quer de mim?

Hima arfava entre os beijos toda vez que sua boca encontrava uma abertura de ar. Ela estaria gemendo se ele não tivesse tomado conta de todo o seu corpo, mas principalmente de sua boca. Seu corpo inteiro estava quente e ela o queria cada vez mais. Sentir a ereção dele em sua perna apenas a fez ter mais certeza de que era aquele homem que ela ama, mesmo tendo que negar isso até para si mesma durante toda a sua vida, mesmo que só pudesse tê-lo aquela noite.

– Eu quero você esta noite.

Naquele momento Sasuke não a viu como a garotinha que estava acostumado, mas como uma mulher. Ela estava lhe dando permissão e ele iria aceitar tudo que desse a ele. Aquele não era um bom lugar, por mais impaciente que ele estivesse. Afastando-a da lareira, ele a guia com o braço em volta da cintura.

– Vamos subir.

Apesar de o que está fazendo não ser íntegro, ele tem seus limites; por isso, a levou para o quarto de hóspedes, onde ela deveria passar a noite. A cama em seu quarto era apenas de Sakura, apesar de não ser usada para outra coisa a não ser dormir. Já fazia um longo tempo e ele esperava que ela entendesse isso. Hima não era tola o bastante para não ver que o que estavam fazendo era uma traição e não esperava dormir com Sasuke em seu próprio quarto. Era melhor não ter que se preocupar se ele já havia dormido com outra pessoa naquela cama. Parte de sua mente já estava se preparando para ser dispensada de manhã. Quando a chuva passasse tudo voltaria ao normal.

Ninguém parece se importar com esses momentos constrangedores que ocorrem antes ou depois do sexo, quando você tem que andar ao lado da pessoa para chegar a algum lugar em que possam realmente consumar o ato ou o quão estranho é antes de começar, mas tudo isso aconteceu. Sasuke abriu a porta para ela e entrou, depois esperou que ele fechasse novamente e se virasse para ela. Seus olhos estavam ainda mais escuros, ele não queria ter que esperar mais nenhum segundo para tê-la novamente nos braços.

Ele a envolveu pela cintura, recomeçando o beijo, e a guiou até a cama onde deitou por cima dela, com uma mão de cada lado da cabeça para manter o equilíbrio. Por um tempo isso foi o bastante, mas os dois começaram a ficar impacientes. Ele já estava ainda mais duro e ela estava com calor e queria tirar a roupa.

Sentando em cima dela, Sasuke tira a própria camiseta, deixando à mostra a cicatriz que ganhou em uma as muitas brigas nas quais se meteu durante a juventude. Ele sobe as mãos pela barriga dela devagar, puxando a camiseta para cima e sentindo a maciez da pele de Hima embaixo de seus dedos. Quando chegou a beirada do sutiã seu coração estava batendo no ouvido, ele tentou dizer a si mesmo para agir mais como homem, mas isso era impossível com ela.

Tirando rapidamente a camiseta dela, as mãos de Sasuke se ocuparam com uma nova tarefa – apertar os seios de Hima. Seus dedos fizeram cada contorno possível por cima do sutiã, enquanto ela arranhava a base de sua barriga, fazendo-o sentir vontade de desistir de sua ideia e voltar a colar seu corpo no dela – mas ele queria aproveitar cada momento, cada parte, porque não sabia o que aconteceria no dia seguinte.

Ele não queria admitir, mas desde que viu aquela peça marcada pelo vestido ele imaginou como seria por baixo dele, o que teria por baixo dele, os seios de Hima eram fartos desde que ela era muito nova, algo que puxou da mãe e sempre causou certa inveja em sua filha, mas ele nunca se permitiu imaginar muito até aquele momento quando estava prestes a ver de verdade.

As mãos de Sasuke seguiram a borda do sutiã até o fecho, que ele abriu para tirar a peça e pendurá-la na beirada da cama. Ele se perguntou se deveria tirar o resto ou começar a aproveitar apenas o que já tinha nas mãos. Respondendo à pergunta por ele, Hima coloca as mãos sobre sua calça e começa a abaixar a peça, deixando à mostra a ereção em sua cueca. Ele a ajudou a retirar a calça e fez o mesmo com os seus shorts, percebendo que a menina não estava usando nada por baixo. Será que ela não estava usando nada por baixo do vestido também? Não que ele fosse muito curto a ponto de isso ser um perigo, mas o pensamento fez seu pênis pulsar de desejo.

Inclinando-se por cima dela, ele recomeçou o beijo interrompido, dessa vez apertando um pouco seus seios até chegar na ponta do mamilo, que ele acariciou com cuidado para não a machucar. Hima queria gemer, mas o ritmo do beijo não permitia que ela emitisse nenhum som, seus quadris se moveram para cima, encontrando a cueca de Sasuke e os dois aproveitaram a fricção entre os seus membros até terem que separar o beijo para respirar.

Ele já estava suando e sem fôlego e eles nem haviam ido tão longe. Não seria difícil gozar apenas com aquilo, mas ele queria mais. Ele queria ouvi-la chamando o seu nome, saber que ela também o quer da mesma forma. Tomando seu seio com a boca, ele chupou cada um dos mamilos, sentindo-a pressionar o quadril para cima de encontro ao seu pênis cada vez mais. Ela arfou e gemeu, fazendo-o se sentir orgulhoso de poder causar essa reação nela.

Quando ele começou a lamber seus seios ela pode sentir seu corpo todo pulsando, pedindo por ele dentro de si. Ela tentou chamar o nome dele, mas sua voz falhava toda vez que uma nova onda de prazer a invadia. Ver Sasuke sem a camisa estava a deixando louca, ela sempre imaginou o que havia por baixo da camisa perfeitamente abotoada, mas não esperava a cicatriz. Isso apenas o fez parecer mais atraente. Ela queria sentir mais e por isso arranhou a barriga dele, incerta sobre o que deveria fazer naquela situação.

– Sa... suke.

Primeiro foi um sussurro, mas depois ela começou a chamá-lo mais alto, ele abandonou os seios e desceu cobrindo a barriga dela de beijos, chupando cada ponto, apertando suas coxas. A brincadeira não foi muito longe, ele não queria deixá-la esperando muito tempo, por isso tirou a cueca e se preparou para penetrar.

A boca dele percorrendo seu corpo era muito melhor do que ela jamais teria imaginado. Seu corpo respondeu tentando se aproximar, ela precisa de mais dele, tudo dele. Finalmente consegue chamar baixo o nome dele, pedindo aquilo que já não aguenta mais esperar. Ela não queria gozar pela primeira vez sem ser nele.

Ele foi devagar, até sentir uma barreira. Aquela era sua primeira vez e ficou com medo de machucá-la, mas seus olhos estavam pedindo para ele continuar. Voltando um pouco, ele tomou impulso e empurrou o bastante para romper a delicada pele do hímen. Hima ficou tensa e agarrou os lençóis, mas ele não parou colocando todo o pênis dentro dela e começando a se movimentar. O prazer deveria ser o bastante para fazê-la esquecer a dor.

– Me avise se quiser que eu pare.

Ela acenou com a cabeça, não querendo que ele parasse. Por um momento ela se preocupou que ele fosse desistir quando percebeu que ela era virgem. A pressão do pênis dentro dela causou um pouco de dor e ela teve que segurar os lençóis para não reclamar, não queria fazer nada que pudesse levar Sasuke a se arrepender da sua decisão de continuar.

Conforme ele continuou penetrando, ela se acostumou com a fricção e a dor foi substituída pelo prazer, ela passou os braços ao redor do pescoço de Sasuke, selando seus lábios por um curto tempo. Ele precisava se equilibrar para não cair em cima dela e por isso teve que se afastar. Ele sentia a pressão na barriga crescendo, logo ele iria gozar dentro dela, mas queria ter certeza de que Hima estava sentido tanto prazer quando ele.

Sem saber se teria outra chance, ele para de se movimentar, calando o gemido de protesto dela com um beijo e depois descendo pelo seu pescoço até chegar no ouvido.

– Vira para mim.

Ela não entendeu a princípio o que aquilo queria dizer, mas obedeceu, virando de costas para Sasuke, que saiu de dentro dela apenas para penetrar novamente quando ela estava virada sobre o colchão. Ele segurou os cabelos roxos da menina, sentindo que se não tomasse cuidado poderia gozar a qualquer momento. Hima gemeu e ajudou no movimento, empurrando de volta toda vez que ele a penetrava, quando seus braços começaram a doer ela se inclinou sobre o colchão e Sasuke saiu de dentro dela arfando.

– Desculpa.

– Não tem por que, não quero que você sinta dor.

Sua voz estava rouca e ainda mais linda do que ela se lembrava, ela também queria que ele gemesse seu nome, saber que era capaz de lhe dar prazer apesar de não ter experiência. Empurrando Sasuke para trás, ela subiu em cima dele, ignorando o olhar assustado com que a encarava. Segurando seu pênis com cuidado ela se sentou sobre ele subindo e descendo, tentando imitar o mesmo movimento que o moreno fez quando estava por cima dela.

Aquela posição era um pouco complicada para Sasuke, porque ele não gosta de se sentir submisso, mas com Hima foi completamente diferente. Sentir ela em cima dele apenas aumentou o prazer e ele mordeu o lábio para segurar os gemidos. Ela iria fazê-lo gozar e Sasuke já não se importava como, deixando seu corpo guiá-lo ele soltou o gemido que estava sufocando e segurou a bunda dela, forçando-a para baixo com mais força e levantando o quadril para aprofundar ainda mais a penetração. Hima estava tentando se segurar, mas estava difícil, ela podia sentir a pressão se formando e não sabia se iria conseguir continuar até fazer Sasuke gozar.

– Hi...ma.

Ouvir seu nome sendo gemido por Sasuke foi o bastante para que ela liberasse a pressão que havia se formado em sua barriga; seu corpo foi coberto por espasmos e ela sentiu o líquido quente descendo até envolver o pênis de Sasuke. Mesmo assim ela tentou continuar o momento para fazê-lo gozar também.

Ele estava no limite. Seu corpo precisava de alívio e ele implorou para que ela o desse. Sentindo o gozo dela envolvendo seu pênis, Sasuke não conseguiu mais aguentar e gozou também, penetrando o mais fundo que conseguiu e misturando seu gozo ao dela. Ele passou os braços pelas costas da menina e a puxou para baixo, colando seus corpos exaustos. Sem saber exatamente o que falar sem parecer um cafajeste, ele passou a mão pelas costas dela, subindo e descendo, aproveitando todas as sensações que seu corpo estava lhe dando.

Ele queria mais, ele a queria, mas a menina já estava praticamente adormecida em cima dele. Tentando se mexer o menos possível, ele puxou as cobertas para cobri-la e a trouxe novamente para os seus braços. Hima parecia tão pequena agora que não conseguia mais compará-la com a mulher que havia acabado de fazê-lo gozar como nunca antes na vida. Assim que o pensamento passou pela sua mente, ele percebeu o quanto era verdade: Sakura era maravilhosa, mas nunca havia feito ele se sentir desse jeito.

Hima era a calma em meio à confusão em sua mente. Ela fez ele se esquecer dos problemas e todos os demônios que o rodeiam por aquela noite. Pela primeira vez ele não estava com medo da luz, não queria se afastar da luz – finalmente ele havia sido envolvido por ela, apenas para perdê-la logo depois.

Sem ela para mantê-lo a salvo de sua própria mente, pensamentos perturbados começaram a nascer novamente. Hima havia pedido para tê-lo apenas aquela noite, na manhã seguinte ela voltaria para casa, para algum namorado com metade da idade dele e nem metade de seus problemas. Ele nunca mais a teria enquanto outros homens poderiam fazê-la sentir mais prazer do que ele havia feito naquela noite.

Pela primeira vez em anos ele teve vontade de chorar, mas não conseguiu. Seu corpo não estava habituado à emoção e ele ficou simplesmente deitado, sentindo o calor do corpo da mulher que ama ao seu lado, sabendo que só vai poder senti-la por mais um curto tempo. Aquela foi a escolha que ele fez na sala de estar e agora teria que lidar com as consequências.

Era melhor assim de qualquer forma, ela merece alguém muito melhor e ele já tem uma esposa. Estaria mesmo disposto a magoar a pessoa que tanto o amou desse jeito para tê-la ao seu lado? Sim, ele estaria, mas não seria justo com nenhuma das duas. Ele não forçaria nenhuma situação. Assim que Hima fosse embora de manhã, precisaria engolir seus sentimentos e fingir que nada aconteceu. Sua felicidade não valia a delas.

Hima se mexeu ao lado dele e sorriu enquanto dormia, ele sorriu de volta, o primeiro sorriso verdadeiro que deu desde a morte do irmão, cheio de carinho e amor, mas que ninguém nunca veria. Ele ficou o restante da noite vendo-a dormir, desejando que o dia seguinte nunca viesse.

*Fim? Ainda não sei, comente se você acha que eu devo continuar.*

[Agradecimentos mais que especiais a Carol por ter lido e corrigido ela para mim.]

Um mês