O Faroleiro

O Faroleiro

O Faroleiro

O velho estava sentado, desolado, observando o farol, que ele mesmo operava, na esperança de que chegasse algum barco a qualquer momento. Apesar da aparência cansada o homem via longe e avistou à quase cinco milhas marítimas a embarcação que se aproximava. Dois homens de grande porte estavam no convés dela. Ele desligou o farol.

Assistiu placidamente o barco chocar-se com as pedras, os homens caíram ao mar, mas conseguiram, com a ajuda do faroleiro, chegar em terra firme.

“Pensei termos visto um farol” falou o mais alto e de barba apontando para as ruínas em forma circular na ponta da ilha.

“As ruínas enganam e, às vezes, é só o reflexo da lua cheia na água” respondeu o faroleiro enquanto os guiava para a sua cabana.

Após o farto banquete os dois foram deitar-se. O faroleiro esperou ouvir os primeiros roncos para que, enfim, ele fizesse o seu banquete.

Na lua cheia seguinte, o velho estava sentado, desolado mais uma vez, operando seu farol. Viu uma embarcação à pouco mais de dez milhas. Sua barriga roncou, estava na hora de saciar sua fome que já durava quase mil anos.