O Dobrão

O Dobrão

O Dobrão

Eles riram do velho. 

 

— Você conta muita lorota. Isso é historia de pescador! — falou com desdém um dos homens — Quantos copos de cachaça já mandou goela abaixo?  

 

Ziza deu um forte tapa no balcão. — O que lhes conto é verdade! — esbravejou com certo rigor — Eu estava em mar aberto quando o nevoeiro surgiu. Senti as águas ficarem bravias. Ouvi um ranger medonho. Minha alma congelou. Era o som de madeira contra madeira. Era vento contra as lonas das velas esfarrapadas. Então, um clarão se fez no meio da fumaça esbranquiçada. E por entre a névoa o navio fantasma apareceu. Era um navio pirata. Eu também vi a tripulação de mortos vivos. Cadáveres com espadas e pistolas em punho. Não sei a razão! O capitão, um verdadeiro esqueleto, lançou em minha mão um dobrão. Agora, toda vez que mergulho a moeda na água do mar o navio pirata resurge das profundezas! 

 

— Mentira, velho bêbado! Isso é uma galhofa!  

 

Ziza deu uma bebericada na pinga. Retirou do bolso o dobrão. Pôs em cima do balcão, a moeda reluzia. O brilho do ouro era irresistível. Hipnótico. — Essa é a prova! 

 

— Velho, a verdadeira prova é se você colocar essa moeda de uma pataca no mar e o navio aparecer! 

 

— Então, vamos ao mar. Marujos de araque! — Ziza pegou o dobrão, foi ao cais. Zarpou com seu barco. Os homens, descrentes, o perseguiram em outro barco.

 

Ao fim do dia, somente um dos barcos regressou ao cais.