Oh, Madalena!

Oh, Madalena!

Oh, Madalena!

A música eletrônica cessara na embarcação, dando lugar a uma canção que entoava “que o mar é uma gota comparada ao pranto meu”. Forte, fraca, alegre ou triste, lá estava Madalena em mais uma viagem. Um cruzeiro, parcelado em seis vezes. Perdera a conta de quantas vezes a vida havia sido brusca com ela, como a mudança repentina de Tiësto para Elis Regina. Sem direito a parcelamento da dor. O céu espelhado no mar dava um ar de poesia para aquele fim de tarde. Combinado àquela música e três taças de espumante dos bons, formava um lindo dia para morrer! Absorta, corada e bela, num vestido azul enfeitando a proa, sua figura era a antítese dos pensamentos suicidas mirando as águas cortadas. Estava cansada de finais que não dependiam dela. Foi assim com Ricardo, Luiz Cláudio, Fernando. Quando tudo parecia bem, descambava. Ávida por um final autoral, coloca os saltos na beirada. Vamos Madá, você precisa ser fort...

- Mulher,  por que choras?

Uma voz bonita interrompera Madalena. “Merda, mais uma intervenção brusca na minha vida. Só pode ser culpa desse signo de peixes”, pensava, enquanto Moisés, como um sereio, a encantava naquela noite. Desde então foram 39 anos e oito cruzeiros juntos. “Nasci pra ser barco e não o destino final de ninguém. Não sou cais, sou a viagem. E que viagem a nossa, hein, meu amor?”, refletia Madalena, enquanto lançava as cinzas de Moisés ao mar, ciente de que aquela história linda não terminava ali...