Capítulo único

Virtualidade

Capítulo único

Roberta caminhava de um lado para outro à espera de um e-mail, na verdade, de vários. Também esperava ansiosamente que o número de comentários na sua última postagem ultrapassasse a marca que colocou como meta naquela semana. 

Seu celular não parava de vibrar anunciando a chegada de múltiplas mensagens de diversos grupos de redes sociais. Ela não se detinha a visualizar nenhuma delas.

Inesperadamente, a campainha tocou. Roberta sobressaltou-se. Quem a estaria procurando? Não era algo comum, realmente.

Por debaixo de sua porta apareceu um papel. Um envelope. Roberta apressou-se a pegar o envelope e, entrementes, estranhou que uma conta chegasse em formato físico em sua casa. Tudo agora era um processo virtual! 

Ao virar a carta, ela visualizou o remetente: Vinícius Costa. Vinícius! Então, não era uma conta! Ele enviou uma carta para ela! Nada poderia ser mais estranho à Roberta naquele momento.

Por que seu namorado do colegial estaria lhe enviando uma carta? Por que não simplesmente enviou um e-mail ou mandou um convite em seu perfil? 

Era tão estranho, Roberta não lembrava da última vez que alguém lhe mandara uma carta. Pensando melhor, apesar de haver milhares de mensagens que não conseguia responder diariamente e de infinitas conversas que não conseguia manter por tempo prolongado, ninguém havia lhe mandado uma carta antes. 

Ela não ousou abrir a carta. Temeu o que pudesse estar escrito ali. Ela não estava preparada. O ato era algo tão íntimo que a amedrontava. E arquivou a carta, assim como arquivava seus spams.