Capítulo único

O jogo da dança

Capítulo único

Eu jogo a minha vida a prova. Agarro as oportunidades que me foram apresentadas. Tento atravessar o rio das adversidades e caio. Olho para o foco. Me levanto e volto a cair novamente. Pareço não ter mais forças, aos prantos, levanto, mais uma vez e caio. Não importa quantas vezes já caí. Uma coisa eu sei: Não mais serei a mesma desde que me levantei pela última vez.  

Até agora nunca mais caí, talvez porque as experiências das quedas criaram em mim uma lição de que as oportunidades nunca são as mesmas, elas são únicas e nesse jogo da vida de bailarinos, ainda que você caia e chore ensaiando sobre o gemido, no palco, a dor não será uma surpresa, a força não será uma novidade, o foco não será vácuo. Então o show e aplausos serão direccionados a você, no final de uma perfeita apresentação,  com o público de pé, gritando o seu nome, sem ao menos saberem que lá atrás das cortinas, você teve que treinar aquele salto maluco por diversas vezes.  

Respiro fundo e percebo que o jogo da dança tornou-se em um jogo leve, e prazeroso sem fardo.  Só valeu a pena porque acreditei em mim.  E a medalha em minha mão direita, serviu como guardanapo para enxugar as lágrimas da dor em meu corpo, tapado com uma forte camada de makeup. Satisfeita estou. É um jogo que vale a pena repetir.