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A força do coração

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Maggie estava correndo.
Passara a vida inteira correndo e estava cansada daquela fuga desenfreada, mas sabia que não podia parar. Parar significava desistir. Desistir significa se render. E para isso ela nunca estaria pronta.
Foi assim que acabara naquele lugar, para começar. Precisava desesperadamente da esperança de um futuro melhor. Então fechara os olhos e pedira à deusa Melusina que a salvasse daquele mundo cruel em que mulheres são oferecidas como os prêmios das justas promovidas pelo rei. Pedira com todas as forças, por todas as mulheres, que elas tivessem a possibilidade de um futuro melhor.
E então abrira os olhos e tudo mudara.
Mal conseguira acreditar que tivera permissão de vislumbrar o futuro — até perceber que, trezentos anos depois, muitas coisas estavam diferentes, mas as mulheres ainda eram vistas como seres inferiores.
Agora, ela fugia novamente. Fugia de mais um homem. De mais um monstro.
Era como um jogo de xadrez, e Maggie era a peça mais importante, o símbolo da luta feminina — sentia-se sozinha, impotente, mas ainda acreditava que a sorte mudaria a seu favor.
Agora, ela fechava os olhos e pedia ajuda à Melusina novamente. Não sabia para onde deveria ir, nem se em algum futuro ela conseguiria encontrar a resposta que procurava.
Mas sabia que precisava continuar em movimento.
Alguém tinha que sair vitorioso daquele jogo. E Maggie se recusava a aceitar qualquer outro ganhador que não fosse ela.
Com a esperança reverberando por dentro, respirou fundo.
E então, abriu os olhos novamente.