Augúrio

Augúrio

Augúrio

                                                                                                                           

Naquele dia, naquela rua, todos receberam a carta.

Nossa! Uma carta?! E não é de cobrança e nem de propaganda política! Eu não acredito! De quem será? Pensou ansiosa após averiguar a caixa de correios e descobrir seu conteúdo.

Ana virou o pequeno envelope endereçado a ela.

_ Tânato!?... Quem é essa pessoa? ... Alameda Além Túmulo, sem número, Céu Azul!? Balbuciou intrigada.

Ela ficou apreensiva. Quem seria essa pessoa que lhe enviou uma carta em plena era digital? Será um velho pervertido? Pensou enojada.

A carta parecia como qualquer uma que ela nunca havia recebido. Ana colocou o envelope contra a luz do sol e identificou que dentro tinha um pequeno papel, lembrando uma folha de caderno, com anotações que não conseguiu decifrar. Estranho... Azar, vou abrir, decidiu.

Quando posicionou suas mãos para rasgar o envelope, sentiu calafrios. Que sensação esquisita! Nunca tive isso antes. Voltou o envelope contra o sol novamente na tentativa inútil de desvendar seu recheio.

_ Droga, murmurou. Tem alguma coisa errada. Acho que não vou abri-lo.

Mal terminou seu augúrio e os pelos de seus braços eriçaram diante de uma brisa fria e suave que sussurrou ao seu ouvido:

_ Leeeiia, Anna. É pra você.

Seu coração acelerou e ela não ousou abrir a carta. Largou assustada o envelope e sequer o viu cair ao chão. Apavorada, disparou para seu quarto e debaixo da cama se escondeu com seu smartphone. Ligou para todos seus vizinhos, mas não teve resposta. Eles leram a carta.