raiz

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Chegou em casa e correu para seu quarto.

Foram meses de pressão constante de todos a sua volta. Ela não resistiu e resolveu sucumbir aos anseios e dúvidas de sua cabeça.

Ele não pode fazer muito a não ser acatar sua decisão. O que importava era que sua filha estivesse tranquila.

A sociedade exigia uma resposta. Sua mãe exigia uma resposta. Seu pai... Seu pai nem tanto.

Ela se jogou na cama e fechou os olhos por um minuto. A voz dele invadiu sua mente, contando sobre as noites de sono perdidas para acalmar o choro de sua recém-nascida filha. Lembrou das brincadeiras inventadas para distrair a mente de uma criança irrequieta. Pensou em quanto ele a ajudou na escola com os deveres de casa. As dicas de Matemática. Os casos da História. A Geografia do mundo. Levou-a em festas nas casas dos amigos. Foi buscar na reunião de grupo da feira de Ciências na casa da amiga. Contou verdades da vida. Ofereceu ombro para um coração angustiado.

Agora, aos 17 anos, ela estava prestes a entrar para faculdade. Queria ser advogada como ele. Queria ser reconhecida como ele. Trabalhar e ainda ter tempo para se dedicar à familia. Queria ser o orgulho dele.

Ela pensou. Lembrou de seu abraço. Pegou a carta em suas mãos. A dúvida tinha sido plantada, mas estava decidida. Ela não ousou abrir a carta. Rasgou o resultado do DNA e jogou no lixo. Seu pai era ele. E ele era sua raiz. Isso que importava.