Bodas de Ouro

Bodas de Ouro

Bodas de Ouro

Ele fora seu companheiro nas horas prazerosas e doídas por cinco décadas. Conheceu-o jovem e se apaixonou. A paixão foi correspondida, como numa troca de românticas cartas. Namoraram em uma época na qual os encontros se limitavam a andar de mãos dadas por um colorido jardim pintado de girassóis, violetas e rosas vermelhas. Casaram-se.


O tempo, este impalpável substantivo, jamais desgastou aquele amor. Pelo contrário. O passar dos dias só fortalecia a intensa paixão. O brilho nos olhos, o sabor do beijo, o companheirismo: tudo aquilo que robustece um relacionamento estava solidamente intacto.


Discussões haviam. Apontem um casal que não as tem e irão constatar o equívoco. Entretanto, os desentendimentos deste casal nunca foram motivos para agressões ou para diminuir o recíproco amor.


Há pouco tempo, a morte o alcançou. Silenciosa, repentina, indolor. Na casa, agora, ela e uma infinita saudade. A vida, às vezes, lhe apresenta peças trágicas e inesperadas. Mesmo assim, a jovem, já idosa, de uma forma ou de outra, iria procurá-lo.


Chegou a uma casa simples e se sentou. À sua frente, um senhor rabiscava nervosamente em um papel. Ele terminou o texto e o entregou, dentro de um envelope, à saudosa esposa. Disse-lhe que era uma mensagem do marido dela.


No primeiro momento, ela não ousou abrir a carta psicografada. Mas logo encheu-se de coragem. Retirou o papel do envelope, três sementes de girassol caíram, a letra da carta era de um vivo violeta e um aroma mágico de rosas vermelhas se misturou no ar.