A Segunda Carta

A Segunda Carta

A Segunda Carta

Era uma carta de despejo, uma carta que Maria temia receber: o aluguel não fora pago nos últimos meses.

O coração dela se apertou de angústia. Ela não ousou abrir a carta, não teve coragem para saber o tamanho da dívida. O que iria fazer? Não tinha dinheiro nem tinha com quem deixar seus filhos para poder trabalhar. O pouco dinheiro que conseguia, da ajuda de vizinhos e de parentes, usava para comprar comida.

No mês seguinte, um homem apareceu à sua porta.

- Posso falar com a sua mãe? – o desconhecido lhe pediu.

- Eu sou a mãe nessa casa – a jovem Maria respondeu. Seu filho mais novo em seus braços, o mais velho em pé ao seu lado esquerdo e a menina do outro lado, lhe puxando a barra da saia.

- E seu marido, onde está?

- Faz nove meses que não tenho notícia dele, senhor – Maria falou, tanto altiva quanto aflita.

O homem se conteve por um instante, arrebatado pela cena. Uma jovem e três crianças. Como proceder? Apresentou-se, finalmente, como o cobrador. Tinha ordens para despejá-la. Foi-se, contudo, sem cumprir sua lida.

Uma semana depois, uma nova carta chegou. Maria reconheceu o nome do remetente. Era o cobrador. Mas a carta não parecia cobrança nem comunicado de despejo. Maria respirou fundo e abriu o envelope. As lágrimas desceram-lhe o rosto ao ler o bilhete nele contido:

“Senhora Maria, sua dívida está zerada. Seu aluguel está quitado pelos próximos seis meses. Cuide bem dos seus filhos."