Único.

Calor

Único.

A manhã e a preguiça se estendiam lânguidos em seus membros, a tarde agradável repousava no ar. Largada sobre o confortável da cama, pedia atenção e espalhava inocência por ele. Sabia que teria resposta e ele sabia que queria. Movendo-se como provocação, ela se esquiva aqui e ali só aumentando a ansiedade. Não distante, nunca deixando seu miado de lado, ela brinca de sedução. De sentir os corpos esquentando, da rigidez e da paciência escassa. Esse jogo era seu favorito: usar o corpo todo. Passar a mão nela resultaria na reação perfeita de um gato, que se aproxima e sente o toque para logo depois se irritar e sair de perto. Esquenta, palpita, se acerca, o toque duro, o ar escasso, o calor, ah o calor, escorre e se delicia na tentação. Seu coração acelera e aceita. Laçada, ela segura firme nos braços que a prendem. Conduz seu desejo pela cabeça, cabelo, pescoço — arrepios motivam miados que movem ainda mais as mãos. O clima pegajoso de encontro com a violência, as roupas no chão. Respira e fecha os olhos, sente os lábios, o hálito, a proximidade subindo com o calor. Entregue, ela já não se controla e ele se apropria. Segura, firme e sem saída. Presa sem chance de distração, ela já não se importa, encharca e pede. Mexe e rebola. Por favor. Treme e pede, quer e deseja. Vem. Sua inocência perdida junto com o calor da tarde, derretido no suor de sua pele. Subindo e descendo.