O banho

Astrológica

O banho

Sexta-feira. Ela entrou em casa. Cansada. Bebeu uma xícara de café forte. Despiu-se na sala. As roupas no caminho. Até o chuveiro, algumas dezenas de passos e a nudez em curvas. A água quente. O vapor. Os olhos fechados. As mãos ensaboando o corpo. Lembrava a última noite, o último vinho, o último prazer. Sorriu sem querer. Ainda tinha no ombro direito as marcas dos dentes e no seio esquerdo ardiam as levezas daquelas mãos. Sentia o cabelo puxado e nos ouvidos ainda zuniam os impropérios sussurrados em tons graves. E ela estremecia a cada lembrança, a cada gota d´água escorrendo pelo corpo relaxado. Ela mordeu os lábios. Recordações. Escorou o corpo na parede. Deslizou os dez dedos pelos arrepios. A aspereza da barba nas costas, a mão forte apertando o quadril, as coxas. Ainda sentia.

Resistiria até o fim do banho? Talvez.

Mas resistir para quê?

Havia um mar de prazeres escorrendo pelo seu corpo, um sem-número de desejos marcando a pele. Não resistiria. Não resistiu. E a respiração ofegante. E o rosto em fogos. Tudo a denunciava. Tudo a entregava.

A noite. As lembranças.

Não devia. Ela era Gêmeos.

Não podia. Ele era Escorpião.

Mas queria.

Mas queria.