A Flor de Ipê

A Flor de Ipê

A Flor de Ipê

Tremula frágil ao sabor da brisa leve. Por breve momento não mais resiste; deixa-se desprender do galho e flutua suave, livre para destino certo: Seria mais uma das muitas centenas de flores a compor luxuoso tecido lentamente bordado sob a frondosa copa amarela. O tempo, depois, lhe apagaria a cor vibrante; sua energia, consumida pela terra, renasceria em novos verdes e cores de primaveras futuras.

Uma brisa mais forte, entretanto, impõe novo rumo: Os longos cabelos encaracolados da moça que passa distraída, impedem seu pouso tranquilo em destino certo. Enrosca-se à trama perfumada como que agarrando oportunidade da carona para futuro diferente. O desconhecido a separava das companheiras anônimas, deixando para traz a beleza efêmera daquele tapete vivo.

Sua breve aventura termina em novo ambiente, estranho, diferente do oásis onde nasceu. Aqui as cores são artificiais, os sons estridentes; não há pássaros, nem formigas; ou gramados e flores. Há muros, paredes portas e grades.

Diante do espelho um belo rosto se ilumina ao descobrir o adereço inesperado preso aos seus cabelos.  A moça sorri feliz com a surpresa e liberta, delicada, o precioso enfeite.

Soberana, a pequena flor amarela, agora suaviza a aridez branca daquela sala de visitas.