A casa de papel

A casa de papel

A casa de papel

Da varanda do apartamento, Pedro reverenciava a imponência do mar. As ondas avançavam nas pedras, chicoteando-as. O ruído da dança das águas proporcionava uma música alentadora à sua alma. A areia branca se oferecia para os adultos como acolhedores colchões. Para as crianças, era o material de construção de castelos.

O apartamento era uma cobertura. Quatro quartos, todos suítes. Lavabo, banheiro social, cozinha espaçosa. Sala de dois ambientes. Uma adorável brinquedoteca, onde bonecas e carrinhos se multiplicavam. Escritório, espaço para assistir à televisão.

Em determinado momento, o bater das ondas confundiu-se com um estridente alarme. Pedro precisava voltar ao trabalho. Sua hora de almoço terminara. Ele era pedreiro. Fazia parte de uma equipe que estava trabalhando na reforma daquele faustuoso imóvel. A família, proprietária do apartamento, exigira que a obra ficasse pronta antes do fim das férias. Pai, mãe e os dois filhos estavam na Europa. Quatro horas depois, findou-se mais um dia de trabalho. Pedro e seus colegas desceram para pegar o ônibus.

...

O pedreiro chegou em casa três horas depois. Um beijo na testa da esposa. Um beijo na bochecha do filho, que já estava dormindo. A mulher disse que por pouco o barraco não havia desmoronado por causa de uma rápida e repentina chuva. Na mesa carcomida e cambaleante, um presente para Pedro: uma casa de papel – com uma porta e duas janelas desenhadas –, que seu filho fizera, mas que não pôde entregar para o pai naquele dia, pois o sono o havia vencido.