Astronauta por um sonho.

A mãe progenitora

Astronauta por um sonho.


Após algum tempo deitada, inquietação que tomava conta de meu ser se tornou insuportável.

Me levanto e sigo para a janela do apartamento: sento no chão, em frente ao enorme vitral que me permite obter uma vista privilegiada da capital. Apesar de todos os grandiosos edifícios iluminados, as únicas luzes que captam minha atenção são as das estrelas, que apesar de parecerem lânguidas devido às atividades antropocêntricas do centro urbano, se fazem constantemente presentes.

Ao concentrar minha atenção nos pontos de luz distantes, minha mente divaga acerca dos acontecimentos do dia, de forma que não percebo quando minhas pálpebras ficam pesadas e se fecham.

Acordo e estou no vazio cercada por um mar de escuridão, olho ao meu redor e a avisto, totalmente esplendorosa a ser banhada pelo sol. Ela que é mãe e progenitora da vida: a Terra.

Ao avistá-la sinto o terror tomar conta de meu ser: se não estou na proteção propícia à vida proporcionada pela esfera azul, então, onde estou? Como cheguei aqui?

Essas questões me levam a outras até que chego a uma terrível constatação: a falta de oxigênio impede minha respiração.

A partir do momento em que percebo isto, o desespero me invade e na tentativa de obter algum ar, desperto com uma dor lancinante em meus pés após os colidir contra a quina de um móvel.

A experiência de momentos antes fora uma maquinação de minha mente. E então, um tanto quanto decepcionada, levanto do chão com  dificuldade e caminho para a cama.