O velho garimpeiro

O velho garimpeiro

O velho garimpeiro

Subir e descer dava na mesma quentura. Padecia num dos buracos escavados de Serra Pelada, onde o equatorial clima paraense ditava suas regras. E naquela aparente desordem imperavam regras de uma sociedade feita exclusivamente por homens. Quarenta mil dividindo-se pelos barrancos pertencentes aos proprietários “capitalistas”. Seu Benedito, na base da pirâmide dos garimpeiros, era um dos milhares de “formigas” andando de um lado para o outro com quilos e quilos de terras nas costas. Todos enlameados da cabeça aos pés, esperançosos em achar o mais precioso dos metais.

Seu Benedito – calçando chinelos, vestindo trapos – trazia do sul consigo unicamente a força de seus braços e pernas. O velho garimpeiro era parte da engrenagem sonhadora em busca de fortuna. Acordava todos os dias antes do sol se erguer, lavava o rosto e partia rumo à extenuante jornada de trabalho, sustentado apenas por café e pão com manteiga.

Aquele era o seu privilégio. Sentia-se feliz com a oportunidade diária de mudar de vida, mesmo diante da escassez latente. Embora debilitado, o corpo magro resistia perseverante a todas as mazelas impostas pelo garimpo.

Quase todas…

Seu Benedito mal se dera conta da consequência dos mosquitos picando-lhe a pele.

A malária!

Certo dia, enquanto carregava um saco de trinta quilos nas costas, as vistas empreteceram, as pernas o abandonaram e o vigor batera oco no chão.

Apagado da vida paupérrima, as esperanças ali findaram. Agora, o corpo descansava em meio a lama de ambição humana. Exaurido como os finitos recursos da Terra.