Andarilha

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                                                                                                  DIA 60

             Minhas andanças continuam. Ainda não consegui encontrar nenhuma alma viva sequer, mas sinto que hoje é meu dia de sorte. A necessidade de fazer grupos e de ter alguém com quem conversar e discutir nossa situação torna-se cada vez maior. Contudo, preciso me manter atenta ao perigo iminente. Com a evolução do vírus, a facilidade de reconhecer os infectados cresceu, ainda assim, a cautela é sempre essencial.

             Quando o tipo 4 do vírus da dengue surgiu, já era bem preocupante saber que as chances de infecção se tornavam maiores. O que ninguém imaginava era que o vírus evoluiria até o vigésimo nível. e isso significava, basicamente, que fugir da dengue era uma missão das mais difíceis, e sobreviver a ela, impossível.

             Minha mãe hospedou 4 dos 20 tipos de vírus. Meu pai morreu no quinto. Felizmente, consegui escapar, mas não sei até quando. A essa altura, o aedes aegypti não é o único perigo que assola os sobreviventes. Como era de se imaginar, a situação brasileira tornou-se questão de saúde mundial. O restante do planeta Terra decidiu que isolar o Brasil era a única opção, e assim, eles podiam fazer a varredura.

            Eu, Maura, me tornei uma andarilha, a procura de um grande talvez. Pensar no futuro parece bobagem, mas queria ao menos morrer junto de amigos.
            Olho para o horizonte. Em meio aos raios de sol, vejo uma aeronave das nações aliadas, responsável pela dispersão de bombas. Como uma bala, o raciocínio chega rápido ao meu cérebro: preciso fugir daqui.