Estado de Pavor e Medo

Estado de Pavor e Medo

Estado de Pavor e Medo

O serzinho gosmento e verde segurava na ponta de suas garras um lápis. Com ele batucava na mesa, os olhos presos na cruzadinha do jornal: “Estado de pavor e medo; Perigo”. Observou as lacunas correspondentes, já preenchida com algumas letras:

T _ R R _ _

Lembrou das cenas que a professora mostrou na escola, cenas daquele planeta distante onde os habitantes guerreavam um contra o outro, matavam a si mesmo, poluíam e destruíam todo lugar que moravam. Recordou as doenças, as cenas de explosões, a violência, o ódio e a fome que via o terráqueos suportando.

Preencheu os espaços correspondentes com os caracteres faltantes:

T E R R A _

Deu-se conta que sobrou uma lacuna:

— Mãe, Terra é com dois “a”? Ou com dois “e”?

— Não — respondeu ela. Soletrando a palavra.

— Então, não sei. Acho que fiz alguma coisa errada. Tá faltando uma letra.

A mãe aproximou-se do filho e olhou por cima do corpo dele, para a indicação de o que era a palavra.

— Estado? A Terra?

— Sim, mãe. Estado no sentido de regime governamental e soberano.

— Estado de pavor e medo? Perigo?

— A Terra não é perigosa? Não é isso que você e o pai sempre dizem? Que os terráqueos vivem com medo?

E nem ela foi capaz de contestar. Realmente a Terra e seus habitantes eram aterrorizantes. Todos no universo sabiam disso.