Dias Amargos

Dias Amargos

Dias Amargos

Quando as lágrimas secarem por dentro
E meu corpo parar de se baquear ao vento
Eu sei que vou ficar bem

Quando a tempestade passar lá fora
O sangue cessar e a ferida fechar
Eu sei que vou ficar bem

Quando as páginas se auto arrancarem
E as cortinas novamente dançarem ao vento
Eu sei que vou ficar bem

Quando o sabor dos meus lábios voltar a ser sentido
Sem o gosto amargo de um destino interrompido
Eu sei que vou ficar bem

Por ora, me deixe
Me deixe neste chão frio
Assim despida
Procurando a quentura dos teus abraços
Na frieza do teu olhar em mim

Já não há mais sentido
A dor me envolve feito agasalho
Aperta meus ossos me deixando em pedaços
E cadê você?

Não sei se você foi
Ou eu que te deixei ir
Não lembro quando me perdi de mim
Quem sou eu e o que faço aqui

Será delírio
Ou realidade cruel
Não sei se você existiu na minha vida
Se inventei a despedida

Só sei que estou sozinha
Neste espaço escuro
Ouço vozes lá fora
E aqui dentro,
Silêncio. 


Nilde Serejo