Carnaval é dia de aproveitar!

Carnaval é dia de aproveitar!

Carnaval é dia de aproveitar!

     “E amanhã, feriado de Carnaval, é dia de aproveitar!”

     Aproveitar. Feriado. “Esse moço da ‘rádia’ era muito do engraçado”, pensou Seu Manuel. Ali pelas bandas da Fazenda Riachinho ninguém sabia o que era folga, não. Nem dia de domingo o patrão liberava a cambada da lida. “Se eles ‘inda’ recebessem ordenado pelo trabalho...”. Mas, não. Era só moradia e alimentação.

     — Até quando vou aguentar essa vida, meu Deus?

     — Disse alguma coisa, Manuel?

     — Nada não, Crispim. Só pensei “arto”.

     “Crispim era só mais um coitado que nem ele”, assuntou Manuel. Chegara ali pouco depois dele, com a família, passando necessidade. Ficara porque não encontrara nada melhor. E não ia embora por causa das ameaças. E do medo. “Afinal, para onde levaria a mulher e os filhos? Pelo menos ali tinham onde morar...”.

     — Já recebeu as “orde” de amanhã, Manuel?

     — Já, Crispim! Vai ser mais um dia duro!

     Manuel relembrou as instruções do administrador da fazenda e listou em sua mente o que faria no dia seguinte: “Pular, tocar, curtir...”.

     Era muito trabalho para um dia só, mas o vaqueiro sabia que ia dar conta. Já estava acostumado a tocar a boiada debaixo de sol forte e a curtir o couro para ser vendido. O mais difícil mesmo seria domar os cavalos bravos recém-chegados. Era preciso adivinhar a hora certa de pular nos bichos para amansá-los.

     Pensaria melhor nisso no dia seguinte. Dia de Carnaval. Antes, precisava dormir. E aproveitar para fantasiar com um trabalho que pelo menos lhe pagasse um salário.