Escrito à mão

Uma mão deixa a outra na mão

Escrito à mão

Uma pequena empresa, tocada a quatro mãos, fica mal das pernas porque um dos sócios, a Mão-aberta, tinha a mão furada. Teve então a empresa de ser passada, de mão beijada, para outras mãos, e o segundo sócio, o Mão-fechada, porque saía com as mãos abanando da negociação, voltou-se para a sua companheira com quatro pedras na mão.

Até tentara controlar tudo com mãos de ferro, mas Mão-aberta, diga-se de passagem, uma contadora de mão-cheia, por reprovação ao companheiro mão de vaca, que só adquiria bens de segunda mão, abriu mão de pechinchar e passou a meter a mão na receita da firma. 

Aqui revelando em primeira mão, os sócios em discussão eram casados. Ela, Mão-aberta, queria pôr a mão na massa e fazer um bebê, mas ele, Mão-fechada, não queria dar uma mãozinha. Dizia que ela ficaria passando a mão na cabeça do filho, pondo as mãos no fogo por ele, acostumando-o mal. Deixada na mão, ela o traía, passando de mão em mão. Mas seu marido também não tinha as mãos limpas. Era visto por aí de mãos dadas com outra, sempre com a Mão-boba.

No fim, botaram a mão na consciência, deram a mão à palmatória. Tentaram até acertar a mão. Largaram de mão as brigas, o que foi uma mão na roda, pois brigavam por nada, já estavam com uma mão na frente e outra atrás. Para sobreviver, à mão armada, passaram a ganhar as coisas na mão grande. Enfim tiveram um filho, o Mão Leve.