O NOME PERDIDO

O menino que tomava café

O NOME PERDIDO

Samuel estava na mesma carteira que havia sentado desde o começo das aulas. Lá, pensava em como aquele ano tinha sido. Todas as coisas que aconteceram. As crianças e suas brincadeiras de “bom gosto”. Os pais e suas reclamações. Os professores e seus trabalhos — trabalhos que ele fazia sozinho. A sala de aula. As carteiras. A carteira onde estava.

Essa ele conhecia muito bem, como nenhum outro aluno do colégio. Era a única carteira da sala que, segundo ele, nunca rangia. Apesar de parecer-se muito com as outras, ela tinha suas peculiaridades: o risco na lateral, feito por algum aluno antigo; uma mancha de tinta por sobre a mesa, base para inúmeras hipóteses feitas por ele; e um leve amassado no metal que formava sua estrutura. Tudo isso se juntava para que ela sempre cumprisse o papel para o qual estava ali. Protegê-lo.

Sentado nela, o menino podia ver as outras crianças. Nenhuma delas parecia realmente entendê-lo. É quase certo que algumas nem ao menos haviam aprendido seu nome durante o ano letivo. Certa vez, um garoto o tinha chamado por Isael ao invés de Samuel. “É um nome legal, mas não é o meu”, ele disse, porém não foi ouvido. Mas não importava, já ia acabar. Ele só tinha que esperar um pouco.

Era a última aula do ano e o professor de matemática deixou-a livre por causa disso. Essa atitude, para as outras crianças, era um presentinho de final de ano, um agradecimento ou uma despedida por parte dele, mas Samuel sabia que o professor não dava a devida importância para os alunos, mesmo quando tentava, sem sucesso, ser meigo para a classe. Samuel é que não se importava com os falhos truques do professor, a aula de Fernando era chata de qualquer jeito.

O menino olhou para seu relógio no pulso direito. Os ponteiros estavam preguiçosos. Eram 11h35, faltavam vinte e cinco minutos para o sexto ano acabar — isso e mais um século de relativismo temporal. Ele olhou para o professor que estava cochilando na sua cadeira perto da lousa. A cabeça para trás e a boca aberta. “Pelo menos assim ele não deixa a baba cair”, pensou.

Voltou novamente seus olhos para o relógio.

Os alunos estavam em grupos espalhados pela sala, conversando, brincado e, até mesmo, fofocando — mas isso não vem ao caso. Samuel ficava olhando para eles, e enquanto olhava percebia a pequena possibilidade de começar uma conversa com alguém, mas ele não achava que seria tão bem recebido, e também tentar fazer um amigo no último dia de aula não é nada convencional.

No canto direito do fundo da sala, tinha um grupo de garotas, conversando bem discretamente, apesar de que, de vez em quando, encapavam uns gritinhos de lá. Desse grupo saiu uma menina que logo se aproximou de Samuel.

Era Sophia, uma dos poucos com quem o menino tinha conversado durante aquele ano. No seu rosto, um sorriso. Ela veio por trás e colocou a mão no ombro de Samuel. Ele deu um leve pulo na cadeira com o susto.

— Será que você não pode deixar o seu relógio em paz? — disse a menina, já perto dele. — Daqui a pouco ele apela por uma ordem de restrição.

— Tudo bem — respondeu Samuel, se recuperando do susto. — Eu deixo ele em paz.

A menina riu mais um pouco. Samuel a achava legal, ela fazia qualquer assunto parecer interessante. Talvez, por isso, Sophia fosse a única que arriscaria dizer ser sua amiga sem que ele contestasse.

— Vai voltar andando pra sua casa? — a menina perguntou.

— Sim — Samuel respondeu. — Hoje, sim.

— Posso voltar com você?

— Se você quiser.

Ela assentiu e depois voltou para suas amigas. Quando chegou lá, ficou olhando para Samuel, vez ou outra. Ela se sentia incomodada em vê-lo sozinho e entediado naquela sala de aula. Ele era criativo, bom e até mesmo carinhoso, mas aquela menina sabia que tirar o melhor dele não era tarefa fácil.

Samuel pegou sua mochila, guardou tudo, colocou em cima da carteira para facilitar quando fosse embora, e jogou seus braços por cima dela. Ele continuava a olhar para as outras crianças, algumas estavam jogando videogame e outras falando que sentiriam saudades dos amigos, despedindo-se. Alguns vieram se despedir dele também. Ele, porém, não fez questão de ir até ninguém.

Infelizmente, mesmo depois de um ano estudando juntos, parecia que ninguém o conhecia bem o suficiente. Ele não se incomodava muito com isso. Às vezes, era ele mesmo quem se afastava.

A campainha tocou.

O professor deu um pulo acordando com o barulho e tentou, sem sucesso, fingir que não tinha cochilado. Samuel revirou os olhos.

Os alunos saíram correndo em direção à saída, loucos para aproveitar suas férias. O menino esperou aquela multidão toda se espremer na porta. Fez questão de esperar que Fernando saísse também. Depois que se despediu da sua carteira, fez o mesmo tranquilamente.

Quando estava no começo do corredor que levava a saída, pôde ver Sophia esperando por ele perto dos portões do colégio. Com uma mão ela segurava uma das alças de sua pequena mochila e com a outra acenava para ele. O vento batia em seus cabelos ondulados e claros, aquele mesmo sorriso de quando foi falar com ele na sala de aula se desenhava em seu rosto. Samuel acenou para ela.

Enquanto andava pelo corredor, olhou para as paredes. Os murais nelas ainda estavam cheios de trabalhos escolares. Desenhos feitos pelos alunos da educação infantil, apresentações sobre a economia mundial feito pelos alunos do ensino médio, e um monte de outras coisas para as quais quase ninguém dava importância.

Ele voltaria para aquele ambiente no ano que vinha, entretanto queria apenas chegar a sua casa. Naquele dia, quem ia cozinhar era sua própria mãe — o que era motivo suficiente.

— O que você ainda tava fazendo lá dentro? — perguntou a menina quando Samuel finalmente saiu.

— Esperando — respondeu o ele. — O resto dos alunos sempre se bate pra sair do colégio, mesmo nos dias normais, imagine hoje. — E saiu andando junto a ela.

Eles caminhavam a passos lentos. Passavam pelas ruas, pelas casas, pelas tabernas com seus vendedores sorridentes. Despediam-se do colégio, com toda sua confusão, e davam boas-vindas para as férias.

Depois de andar bastante, o silêncio começou a incomodar Sophia. Ela sabia que Samuel não era de falar muito, mas às vezes ele se superava. Pensou em alguma coisa rapidamente para puxar conversa.

— O que você vai fazer nas férias? — ela perguntou, apesar de não ter sido o assunto mais criativo. — Tem alguma coisa planejada?

— Acho que não — respondeu Samuel. — Meus pais não falaram nada sobre viajar, então… Eu posso escolher fazer alguma coisa, tipo… Ou talvez… — Ele pensou, mas não tinha nada. — Eu acho que… não sei.

— Eu acho que não sei? — repetiu Sophia, prendendo uma gargalhada. — Como você é decidido, hein?

— Desculpa — ele disse, rindo. — É que eu realmente não tenho nada pra fazer nas férias.

Sophia riu.

Samuel retribuiu.

“Ela é minha amiga?”, o menino se perguntou. Sophia havia se mudado para perto da casa dele no começo do ano, mas Samuel não tinha falado com ela uma única vez fora do colégio. Por alguns instantes, Samuel se sentiu culpado por isso.

A menina olhou para ele e viu que os cabelos batiam em sua testa por causa do vento. Sophia achou isso engraçado e sorriu.

O sorriso se transformou em riso.

Samuel olhou para ela como se perguntasse: Do que essa doida tá rindo?

— Desculpa — falou ela quando percebeu a expressão dele. — Acho engraçado o vento fazer o cabelo bater na sua testa.

Ele sorriu para ela e seu motivo bobo para sorrir. Nesse instante, o menino pôde ver seus olhos. Eram lindos, ninguém tinha olhos como aqueles. Samuel se sentiu maravilhado por poder vê-los tão de perto. E ele gostou dela por isso.

Enfim, depois de alguns outros passos, chegaram perto de cinco ruas paralelas. Sophia morava na primeira, a Rua Púrpura, então parou e se despediu de Samuel.

— Tchau, Samuca. — Sua voz era doce.

E aquela era uma despedida que mais estava para quando vou ver você de novo?

— Tchau — despediu-se o menino enquanto ela se virava e entrava na rua.

“Samuca”. Eram poucos os que o chamavam assim, talvez somente a família.

Ele continuou andando e pensando nisso.

Entrou na segunda rua, tinha uma placa de identificação (como quase todas as outras), o nome da rua era Elísio. O menino morava na terceira casa da esquerda. Uma casa pintada de azul claro por fora, e nela uma porta de madeira pintada de branco com o número quatorze na sua parte superior.

Samuel passou direto e foi para a parte de trás da casa, entrando pelos fundos, isso o levava diretamente à cozinha. Sua mãe estava colocando a comida na mesa. Ela sempre que tinha oportunidade fazia o almoço, e agora que estavam de férias — com exceção do pai de Samuca —, teria todo o tempo do mundo para cozinhar. Amanda adorava poder fazer os serviços de casa.

O menino viu que a mãe colocava seu prato na mesa e foi direto para lá, jogando sua mochila em um canto da cozinha, mas Amanda o repreendeu:

— Senhor Eliot! — Esse era o sobrenome do menino, e sempre que a mãe estava brava com ele, mesmo que pouco, ela o chamava por Eliot. — O que pensa que está fazendo? Vá guardar sua mochila no quarto e lave essas mãos! Depois, e só depois que fizer isso, volte aqui para comer.

E assim o menino fez. Quando voltou para a cozinha, seu pai já havia chegado e estava na mesa com sua mãe. Diego odiava almoçar no trabalho, então como não era muito longe de casa, ele voltava para comer alguma coisa melhor que os pratos estritamente saudáveis de lá.

— E aí, garotão? — disse o pai, sorrindo. — Finalmente férias…

Samuel sorriu e se sentou.

Eles comeram e depois o menino e o pai elogiaram a comida que Amanda tinha feito. Samuel adorava frango frito.

• •

Depois daquele almoço que sem dúvida deixara Samuel bastante satisfeito, ele subiu para o andar de cima, onde ficava seu quarto. O menino tirou o relógio do pulso, deixou-o na cômoda e foi para o banheiro. Tirou a farda do colégio que, diferente da dos outros alunos, naquele último dia de aula estava limpa, e tomou um banho rápido. Depois, colocou uma das roupas que costumava usar em casa: uma camiseta branca e um short com estampa florida. Em seguida, voltou e apenas se jogou na cama — apesar de saber que não ia dormir.

Da última vez que tinha passado uma tarde dormindo, fora como se muitas coisas tivessem se perdido. Parecia que tinha deixado passar vários acontecimentos, como se ele estivesse desatualizado. Por isso, preferia ficar acordado, a não ser que estivesse extremamente cansado, o que não era o caso naquele momento.

Deitado na cama, Samuel pensou na pergunta de Sophia. Ele tinha aquelas férias e ainda podia pensar em alguma coisa para fazer.

Um filme para assistir, talvez.

“Não”.

Alguém para visitar…

“Não!”.

Talvez um livro para ler?

“Não! Não!”.

Samuel tinha um hábito de leitura invejável. Gostava de ler do mesmo jeito que os meninos da idade dele gostavam de assistir televisão ou jogar futebol. Mesmo assim, aquilo não parecia atraente no momento, então continuou pensando, mas foi interrompido por um barulho na porta, um barulho que mudaria o rumo das suas férias:

Toc. Toc. (Pausa) Toc.

Era a batida secreta que o menino tinha com seu pai, nada tão elaborado. Baseava-se no fato das outras pessoas darem, comumente, três batidas consecutivas. Colocar uma pausa entre a segunda e a terceira batida mudava muita coisa. Isso possibilitava que o filho reconhecesse o pai e vice-versa. Simples, mas o menino sempre saberia que era ele. Samuel gostava dessa parte em seu pai, o seu jeito brincalhão. Ele usava todo o tempo que tinha para poder estar com o filho, mesmo sendo pouco tempo.

— Pode entrar — o menino disse, um pouco desconfiado, já que seu pai deveria ter voltado para o trabalho.

Ele entrou com um sorriso no rosto, talvez um sorriso um pouco mais alegre do que o dos últimos dias. Diego tinha algo planejado.

— E aí, filho? — perguntou, sentando-se na cama ao lado dele. — Tudo bem?

— Sim, pai — respondeu o menino Eliot. — O senhor não deveria voltar para o trabalho?

— Pedi para tirar uma folga pela parte da tarde hoje.

Samuel semicerrou os olhos.

Diego ficou olhando para ele, como se estivesse decidindo o que iria falar naquele momento. Samuel esperou. Era inevitável não ter uma centelha de curiosidade.

— Eu vim te propor algo — disse, então, Diego. — Mas antes tenho que te contar umas coisas.

— O quê?

— Você sabe a rua do meio, entre a nossa e a Rua Jasmim?

— Sim, o que tem ela?

— Sabia que ela não tem nome?

— Ah, ela deve ter. Só não tem aquela placa de identificação… Mas quem liga pra isso?

— Talvez os moradores de lá?

“O que será que ele quer?”. Samuel começava a ficar intrigado com a conversa do pai. Diego não costumava iniciar conversas que não tivessem proposito nenhum, e Samuel sabia disso.

— Pois bem — continuou o pai. — Na verdade, como você disse, ela tem nome, mas ele foi meio que… Como eu diria?… Perdido. Os moradores de lá não sabem ao certo qual era esse nome… Ou se sabem, escondem.

— Tá — interrompeu o menino. — Por que o senhor tá falando isso pra mim?

— Eric — falou Diego levantando-se da cama. — Eu te proponho que descubra o nome perdido daquela rua!

Se para a mãe chamá-lo de Eliot era um jeito de mostrar o que estava sentindo para o garoto, para o pai, chamá-lo de Eric era demonstrar a seriedade daquela conversa. Quase ninguém o chamava pelo seu primeiro nome, e o pai sabia do efeito disso. O problema era que aquela conversa não parecia ter nada de sério, era mais como uma brincadeira boba.

— Tudo bem — o menino respondeu ainda confuso. — Mas qual é o proposito disso? Por que eu faria isso?

O pai ficou caldado por um momento, como se estivesse pensando em uma resposta boa o bastante para convencer um menino de onze anos que aquilo era importante para ele. Diego tinha uma boa resposta, e sabia que Samuel iria ficar curioso. Sabia que aquilo seria bom para Eric.

— Você vai descobrir sozinho o motivo de eu estar pedindo isso pra você — o pai falou.

A curiosidade por aquela resposta começava a crescer dentro de Samuel. Sua mente buscava modos de encontrar aquele nome.

“Não deve ser difícil. Na verdade, é muito fácil”, ele pensou.

— É fácil! — falou o garoto enquanto via o pai saindo do quarto. — Pra isso existe o Google Maps!

O pai virou-se para ele, sorriu, saiu e fechou a porta. Ele foi do quarto sabendo que a curiosidade iria arder no menino e que de alguma forma aquela história, sobre uma rua que perdera seu nome, chamaria sua atenção. E isso era verdade.

• •

Samuel ficou pensando em seu quarto sobre qual era o motivo para aquela rua não ter mais o seu nome. Nada parecia fazer sentido. “Será que alguma vez na história uma rua tinha perdido seu nome?”, ele se perguntou.

Quando não conseguiu mais se conter, pegou seu tablet, saiu de casa e foi para uma padaria ali perto, a padaria do Seu Valter. De lá, tinha uma vista privilegiada de todas as ruas e suas respectivas placas de identificação.

Cada rua tinha uma placa com seus nomes estampados, em cada esquina. Eram placas bonitas, azuis com detalhes brancos, diferente das ruas normais — as ruas normais, como pensava Samuel, eram incrivelmente sem graça.

Todas tinham aquela placa, menos uma, a rua do nome perdido.

“Que conveniente”, ele pensou.

Eram 14h45, a padaria só iria abrir as 15h15, como de costume.

Quando o menino chegou à padaria, ficou embaixo da cobertura vermelha onde os clientes ficavam esperando sua vez de serem atendidos. Pegou o tablet, e acessou o Google Maps.

Pesquisou.

Esperou.

Carregou.

— O quê? Não… Impossível! — quase gritou.

Ele tinha ido para lá porque não queria que seu pai o pegasse interessado na história do nome perdido, no entanto, agora, se deparava com um mistério mais complexo.

Simplesmente, não se havia nenhum nome para as cinco ruas, apenas letras para identificá-las no mapa:

A Rua Púrpura, a de Sophia, indicada pela letra A.

A Rua Elísio, de Samuel, pela letra B.

A Rua “do nome perdido” por C.

A Rua Jasmim por D.

E a Rua Sol por E.

Samuel apertou as sobrancelhas. Agora o menino começava a perceber que aquilo merecia mais atenção, e talvez não fosse só uma brincadeira boba. Ele decidiu ia buscar o nome naquele momento, mas antes teria que acertar tudo com o pai. Voltou rapidamente para sua casa. Ouvia-se o barulho da padaria sendo aberta ao fundo enquanto ele ia embora.

Entrou na rua e foi para a porta de sua casa que estava destrancada, então apenas entrou sem fazer barulho e subiu até o seu quarto para guardar o tablet. Depois voltou para o andar de baixo, onde estava o seu pai.

Diego se encontrava sentando no sofá da sala de estar, assistindo a um programa de esportes. Samuel não sabia qual era.

Ele parou no meio da escada, pensou e foi até lá.

— O que você pretende com isso? — disse o menino se pondo na frente da televisão. — Com certeza você sabia que nenhuma das ruas tinha um nome de verdade! Letras? Sério, só isso? Nossa! Quem fez isso foi muito criativo — zombou.

— Eu não estou lhe obrigando a nada — respondeu o pai, calmamente. — As férias ainda são suas e você escolhe o que fazer com elas. — Ele sorriu e continuou. — Mas parece que você está interessado, não é?

O menino pensou um pouco. “Eu já me decidi! Vou até o fim agora!”.

Seu pai estava com uma expressão indescritível.

— Eu vou fazer isso, seja lá no que der — Samuel disse, rompendo o momentâneo silêncio. — O senhor promete que não vai interferir em nada?

— Prometo.

— Melhor assim.

— Então, tá. Acredito que você vai conseguir, Samuel. Pode começar quando quiser e do jeito que quiser. Agora já pode sair da frente da tevê — o pai finalizou a conversa.

Samuel assentiu e foi para o seu quarto pensar em como poderia desvendar aquele mistério que agora o rodeava. Tentou pensar em vários jeitos que o levassem a encontrar o nome. Jantou, conversou com a mãe, e voltou para seu quarto com aquilo na mente. No final, ele achou apenas uma forma segura o suficiente: ir àquela rua e simplesmente desvendar o mistério perguntando aos moradores. Talvez — talvez — alguém ali, naquela rua, soubesse de alguma coisa. Ele não sabia como faria isso, só sabia que faria. Seu pai tinha proposto algo, e Samuel sabia que as coisas que Diego fazia não eram vãs.

E naquela noite, na véspera do seu primeiro dia de férias, não existia nenhum menino de onze anos mais determinado a fazer algo como Eric Samuel Eliot.

Depois dessa conclusão, seus olhos se fecharam e ele mergulhou no sono, com uma pequena história, guardada bem ali, num cantinho em seu coração…

A história sobre uma rua que perdera seu nome.

UM DIA QUENTE E UM VELHO SOLITÁRIO