Um Desejo de Natal

Um Desejo de Natal

Um Desejo de Natal

     Pedro acreditava que todos tinham direito a um desejo de Natal. Todos mesmo, inclusive "os garotos de rua", como ele. E o menino sabia muito bem o que queria. Não importava quanto tempo demorasse para acontecer. Todos os anos, ele repetia o mesmo pedido em frente ao presépio do Largo da Glória. Quem sabe aquele bebê, nascido pobre como ele, não seria capaz de lhe escutar e ajudar a realizar seu sonho de, finalmente, ter uma família?

     Naquele ano, pela primeira vez, não iria sozinho até à praça. Planejava levar Neco, um vira-lata que o acompanhava há alguns meses. Apesar de atrapalhado, o cachorro era um bom companheiro e até o ajudava a ganhar alguns trocados no calçadão.

     — Mas onde será que esse cachorro atrapalhado se meteu? Desde ontem que não dá notícias!

     Pedro sabia que, se esperasse um pouco mais, perderia a distribuição de quentinhas que uma ONG havia anunciado. Mesmo preocupado com Neco, decidiu ir sozinho. Guardaria um pouco da comida para quando o amigo aparecesse.

     O garoto só não imaginava que iria encontrar o cachorro no próprio Largo da Glória. Deitado. Agonizante. Ferido a pedradas. Quem - pensou ele - teria coragem de fazer uma maldade dessas em plena manhã de Natal?

     Desesperado, Pedro correu para pedir ajuda. Passando em frente ao presépio, lembrou-se do seu pedido. Parou por um instante e, pela primeira vez, não desejou novos pais ou irmãos. Pediu esperançosamente que seu cachorro, a única família que conhecia, ficasse bem.