Despedida

Despedida

Despedida

Após dizer palavras impensadas, proferidas no calor do momento, bati a porta e saí de casa. Quando voltei, estava caída no chão, sem respirar e meu mundo desabou. Sabe o que me deixou mais triste? A última coisa que falei foi para ela sumir da minha vida. Tudo isso apenas porque não me deixou ir a uma festa. Tenho quinze anos, sei bem o que faço, costumava acreditar. Perdê-la me deixou sem rumo. Há dias estou em seu quarto, me sinto quebrada por dentro, não quero sair, não quero esquecer seu cheiro. Mexo na gaveta da escrivaninha e encontro uma caixinha, abro-a. Dentro tem um relógio de bolso. Quando eu era criança, minha mãe dizia que ele era mágico, permitia que voltássemos no tempo, mas apenas uma vez por três minutos. E, ao contrário do que costumamos ler nas histórias, o presente não mudaria. Lembro-me imediatamente do quanto devo tê-la magoado, simplesmente por falar algo da boca para fora. Teria eu causado sua morte? Resolvi, pela primeira vez, acreditar em suas palavras e arriscar. Segui até a sala, segurei o relógio e voltei os ponteiros, precisaria pensar no dia e colocar a hora exata, ele faria o resto. Fechei os olhos, apertei o botão e lá estava eu. Ela falava alto e eu a abracei, surpreendendo-a. Disse que a amava, pedi perdão e voltei. Minha mãe não está aqui, porém sinto uma paz por dentro, sei que me perdoou. E eu pude me despedir silenciosamente daquela que mais amei.