Caderno de caligrafia

Caderno de caligrafia

Caderno de caligrafia

As roupas foram dobradas e guardadas na mochila. Blusinhas de algodão, com estampas de frutas, shorts coloridos e um par de sapatos vermelhos com fivelas de joaninhas.    

Medicamentos eram essenciais, principalmente aquele que controlava a crise de asma. Certa vez, iniciou-se com uma tosse seca, dificuldade para respirar e um sufocamento torácico. Foi uma fortuna ter o remédio por perto, somente assim a menina voltou a inspirar e a expirar normalmente, além do alívio no peito.    

Colocou-se o caderno de caligrafia. A professora avisara à mãe sobre a dificuldade da criança em escrever determinadas letras, como o “G”, o “L” e o “R”. A menina iria se divertir nos próximos dias, mas também cumpriria suas obrigações escolares.

...

A mãe estava preocupada. Não era possível que seu ex-marido faria isso com a filha de novo. Minutos depois, ela recebeu uma ligação. O homem pediu para falar com a criança, para dizer que não iria buscá-la. Mais uma vez, a menina passaria o fim de semana sem o seu herói, que tinha outras prioridades.

As roupas, o par de sapatos, os remédios e o caderno de caligrafia foram retirados da mochila. Como distração, a mãe propôs à filha praticar a escrita. A criança aceitou. Um “R”, um “L” e um “G” foram sendo desenhados. Em segundos, a palavra “relógio” apareceu no papel. Antes do próximo vocábulo, a menina perguntou:

– Mamãe, vamos adiantar o relógio para chegar logo o próximo fim de semana e eu poder ver o papai?