Dois irmãos

Dois irmãos

Dois irmãos

A casa era simples. Apenas uma porta, apenas uma janela. O teto, rudimentar. Pintado de castanho, o abrigo tinha dois moradores. Dois irmãos. Ela e ele não conheciam os pais. Portanto, um cuidava do outro.

Era lindo ver aquela relação embebida de fraternidade, de confiança e de amor. Uma família caridosa e carinhosa era ciente da situação daqueles irmãos e os alimentava.

Os irmãos adoravam brincar juntos. Pique-pega era a diversão favorita. Corriam até perder o fôlego. Gostavam também de ver quem pulava mais alto. Suas pernas pareciam que tinham molas. Na hora de dormir, a pele de um aquecia a do outro.

...

Numa manhã chuvosa, a irmã abriu os olhos. O irmão, não. A respiração lenta. Ele estava doente. A situação requeria pressa. A irmã ficou aflita. A família viu a agonia dela e indagou o que estava acontecendo. Ela, triste e nervosa, só apontou para o irmão, que estava quase imóvel.

Um dos integrantes da família o levou para o hospital. A internação durou uma semana. Nesse ínterim, a irmã caiu em depressão, emagreceu, trancou-se na pequena casa. Pela demora, imaginou que nunca mais veria seu irmão.

Quando ele recebeu alta e voltou para onde morava, o brilho havia regressado aos olhos da irmã. Ela, com uma indescritível excitação, somente latiu: “Não achei que esse dia chegaria”. A Filó e o Fubá, então, se puseram a brincar de pique-pega, a pular como cangurus, a balançar os rabinhos freneticamente até ficarem com as línguas para fora.