Com os olhos do coração

Com os olhos do coração

Com os olhos do coração

As mãos enrugadas do velho tremiam um pouco e a boca parecia ressecada mas os olhos, levemente remelentos, brilhavam como os de uma criança ao ganhar um presente muito desejado.

— Obrigado por vir, filha! Não achei que esse dia chegaria.

O velhote pigarreou e tossiu longamente antes de continuar.

— Eu sei que não estive presente, querida. Me perdoe por não ter sido um bom pai. Eu não queria magoar você, mas eu era muito imaturo para cuidar de uma criança.

Uma lágrima começava a escorrer, ele a enxugou com as costas da mão e os lábios craquelados moveram-se, formando um sorriso tímido.

— Sonhei muito com sua visita e seu perdão! Agora você já é uma mulher e pode entender que esse velho errou muito mas se arrepende demais.

O rosto mudou um pouco e os olhos agora pareciam constrangidos, a boca mexia de leve, prestes a pronunciar uma frase nunca dita antes…

— Eu… Eu te amo, minha filha!!

Agora as lágrimas escorriam constantes e livremente, irrigando a pele seca e manchada ao mesmo tempo em que lavavam a alma.

A uma certa distância dali, duas enfermeiras observavam toda a cena:

— Será que a gente deve contar à ele?

— O doutor disse que é normal ter alucinações nesse estágio da doença… Vamos deixar, ele está feliz!