Papel de caneta

O pecado de Francisca

Papel de caneta

Francisca havia aceitado Jesus, e agora estava salva, amém! Pela e para a Glória de Deus! Iria para o céu, mas antes toda quarta, sexta e domingo ia para o culto, religiosamente. Aprontava-se toda, arrumava os meninos, pegava sua recém comprada Bíblia, e ia louvar a Deus.

As palavras do pastor Carlos eram realmente divinas para ela. Acalmavam, traziam paz. Gostaria muito de poder passar a vida ali, ouvindo, cantando os hinos, sendo uma boa ovelha de Cristo. Mas teve uma vez que Francisca quis não ter ouvido o pastor. Agora o pecado ia arder! Segredos seriam queimados naquela noite de unção!

As irmãs começaram a distribuir canetas e papeis. Deviam escrever seu segredo mais horroroso nos papeizinhos, que os segredos seriam queimados na frente de Deus, numa fogueira improvisada, no altar.

Uma irmã ofereceu caneta. Quando Francisca recusou, fez cara feia. Francisca calou, sentou no banco, assistiu um a um seus irmãos em Cristo colocarem seus pecados no fogo. Segredo de Francisca estava ali, nela inteira. Se quisesse fazer o mesmo, teria que se jogar na fogueira.

De repente, entre tanta vergonha e tristeza sentida, uma mão na dela. Um toque, um carinho. Otávio, seu filho do meio. Tão bom menino, com ótimas notas na escola. Um dos motivos por quais a mãe lutava diariamente, como catadora de recicláveis.

_ Não fica assim não, mãe.  _ ele sorriu.  _ Eu não te falei que vou te ensinar a ler e escrever? Vamos começar assim que chegar em casa, prometo!