Três gerações

Três gerações

Três gerações

Dona Guilhermina ostentava cabelos brancos como nuvens que nascem para deixar o céu alviceleste. Seu andar moroso e desequilibrado comprovava uma forte fraqueza em seus pés, literalmente, calejados pela vida. O coração ainda batia. Era teimoso, obstinado a não parar. Sua consciência protagonizava uma dança. Às vezes, bailava conforme a música. Às vezes, abandonava o ritmo. Até que um dia...as cortinas foram cerradas, e Dona Guilhermina saiu de cena. Para sua filha, deixou uma máquina de costura.

Laura era a filha de Dona Guilhermina. Recebeu com deleite a herança. Dominava o ofício da costura, que aprendera com a mãe. A arte de transformar reles tecidos em roupas de bom gosto era um talento hereditário. Laura costurava para vestir sua filha Júlia. Da máquina de costura, nasciam trajes coloridos, com golas, mangas, botões e estampas que adornavam o corpo da criança.

Na sexta-feira, Júlia disse que teria uma festa à fantasia na sua escola.

– E de qual princesa a senhorita quer se fantasiar? – indagou a mãe.

Júlia pediu que sua mãe se abaixasse. E assim Laura o fez. O segredo, então, foi revelado por meio de um cochicho, e uma lágrima umedeceu a face direita de Laura. A menina disse à mãe que queria se fantasiar de astronauta, pois pretendia ir ao espaço para visitar a avó Guilhermina, que se transformara em estrela.