SEGREDOS DE VENEZA

SEGREDOS DE VENEZA

SEGREDOS DE VENEZA

Foi no dia três de dezembro, exatamente às seis da manhã, que ela se declarou para mim. Simplesmente cheguei ao trabalho, esperando que aquele pudesse ser mais um desses meus dias normais de vida. Com quase quarenta eu não esperava que ainda pudesse despertar em alguém o desejo pela sexualidade.

Viúva, eu me declarava livre como se isto fosse o melhor a fazer, deixando as interpretações a cargo dos devaneios de cada um. No trabalho eu me sentava ao lado dela.

— Eu te amo! — Foi assim, exatamente assim, que ela se declarou. Sem rodeios, sem medidas, de forma prática e auspiciosa. —Também te amo — Respondi sem preocupações. Não acreditava que aquilo pudesse estar,  de fato, acontecendo.

Saímos às sete e ela me esperava com um buquê de rosas vermelhas e brancas.

— Isso é sério? Perguntei assustada.

— Eu te amo! Nunca falei tão sério. A partir dali eu não sabia mais o que fazer. Aos quarenta eu não poderia ser lésbica. Mas por alguma razão eu queria muito viver este segredo ao lado dela. Fui para casa encantada com o comportamento de Jaqueline. Sua maneira funcional de viver a vida me fez perceber que eu podia ser feliz de novo.

Ás 22h a campainha tocou. Era ela, usando um vestido longo de florais e joias raras. Com apenas um toque fui me entregando as suas carícias.

Estamos em nossa segunda viagem à Itália. Contemplamos os segredos de Veneza e a magnitude da leveza de nosso intenso amor.