Amor em jogo

Amor em jogo

Amor em jogo

Ela sentou no banco ao lado do meu e logo pediu um uísque ao garçom. Colocou uma mecha atrás da orelha enquanto me olhava de soslaio. Pegou da pequena bolsa um cigarro e virou para mim com uma jogada de pernas. Pediu se eu tinha fogo. Neguei de pronto e me voltei para meu copo de cerveja. Ela se virou para o garçom que prontamente lhe ofereceu o isqueiro.

Olhando para mim ela perguntou qual tipo de homem nega fogo a uma mulher. Percebi que o cigarro fazia parte do jogo. Ela estava dando as cartas, mas eu não estava com vontade de jogar. Fiz de conta que não era comigo. Ela se aproximou e propôs um brinde: àqueles que afogam suas mágoas nos bares para não se afogarem no rio da cidade. O garçom olhou atravessado para ela.

Percebi que ela deveria ser cliente fiel e cada noite deveria escolher uma vítima. Alguém que lhe acenda o cigarro, pague a bebida, a leve para casa, lhe dê atenção. Nem respondi. Só queria ficar só.

Nesse dia perdi o jogo. Só não me afoguei no rio porque tinha responsabilidades. Um filho pequeno me esperava em casa. Eu teria que explicar a ele que sua mãe partira, naquele mesmo rio que evito enquanto bebo. Já essa mulher não vale o cigarro que coloca entre os lábios, não sabe que já perdeu o jogo, pois o amor só se encontra uma vez na vida e eu apostei todas as fichas nele.