Soneto de muito longe

Soneto de muito longe

Soneto de muito longe

Vivo além-mar, na Portugal de outrora

Um jovem sonhador de sotaque lisboeta

Querendo transformar a sociedade que aqui vigora

Faço a revolução com versos, afinal, sou poeta


Do vasto Tejo, sinto memórias das mágoas

Das raparigas em flor que se equivocaram

Paixões infelizes que naufragaram nas tuas águas

Jovens desonradas que em tuas margens prantearam


Outras vidas virão, porque assim é da Lei

Bem sei que o que te digo, não te comove

Mas aquele que hoje mendiga, um dia já foi rei!


E o fantástico é que na vida nada se perde

Pois estou nesse café, em pleno século XIX

Conversando sobre poesia com Cesário Verde