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Buracos Negros

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É provável que um dia você leia essas palavras, e não quer dizer que estará doendo menos.

Passe uma semana ou um ano, a dor continuará a mesma. Continuará residindo em meu peito como um pássaro no ninho.

Quem disse que o tempo cura as feridas deixadas por aquele que foi embora se enganou. O tempo não cura nada. Nenhuma dor abandona o nosso corpo. Nós é que nos acostumamos com ela. É isso que o tempo faz. Acomoda a dor, e então ela vira parte de quem somos.

Imagino finais alternativos para nossa história, mas nenhum deles vai acontecer.

Você fez sua escolha. Partiu na madrugada. O véu fino da neblina e a escuridão noturna envolviam teu corpo, mas isso não te impediu de vagar rumo ao adeus, me deixando abraçado na solidão de um quarto frio pós-sexo.

Minha mente insiste em lembrar da noite passada, dos toques. Do teu último beijo, me embriagando. E então hoje acordei nessa ressaca de amor não-correspondido. A dor de cabeça permanece, minhas costas arranhadas ainda queimam ao lembrar das tuas unhas afiadas cravando na pele macia, mas você não está mais aqui.

Não te culpo por escolher ir embora. É que alguns amores são assim mesmo: feitos para durar apenas uma noite.

Algo em tuas palavras me fazia acreditar que seria diferente. Fui tolo. Deveria ter percebido que ao olhar para ti não estava encarando o castanho dos teus olhos, mas sim o buraco negro vazio de um coração oco.