O Garoto do Poste

O Garoto do Poste

O Garoto do Poste

Quando o último raio de sol açoitou sua vista sonolenta, os pequenos olhos de Robin piscaram à procura de qualquer vestígio que o indicasse de sua localização. Da janela do carro, a paisagem movimentada relembrava-o das férias que passaria na casa de sua avó. As nuvens escuras se mesclavam ao tom anoitecido que o céu formava. Havia dormido a viagem toda, ouvindo sua playlist no celular.

Retirou os fones do ouvido para ouvir o grito do seu pai no banco do motorista. O homem berrava ao telefone, provavelmente com um de seus tios. Sua voz era desgastada por causa dos gritos eufóricos. Robin tornou a ouvir suas músicas, era melhor que os alvoroços do pai. Fechando os olhos, sentindo a vibe nas músicas de Sleeping at Last. Com certeza Saturn era a sua favorita.

A sonoridade da música desapareceu num silêncio irritante. Robin sentiu seu corpo chocar contra o banco à frente, sua cabeça doeu com a batida. Seu pai havia freado o carro de repente, quase batendo noutro carro, e seus fones foram retirados do ouvido contra sua vontade. Olhando pela janela, Robin massageou a cabeça, observando o cenário tenebroso que era aquele deserto de almas. Estavam numa estrada vizinha à um bar, vazia, mas notou um garoto encostado num poste. Ele era tão claro quanto a luz, e seus cabelos loiros, emaranhados. Seus olhos encontram os caramelados olhos de Robin.

Sentiu um calafrio.

— Ei! — berrou seu pai. — Coloque o cinto!

Robin notou que havia passado a viagem toda sem o cinto de segurança.

Agora sua cabeça doía duas vezes mais, como se um prego estivesse sendo enfiado dentro. O garoto tinha algo a ver com a dor. O olhar penetrante havia tocado sua alma profundamente.

Tarde da noite, chegaram à casa da avó. A senhora esperava-os no portão. Robin desceu do carro com um alegre sorriso estampando o rosto ao ver os braços aberto da mulher. Aconchegou-se no abraço apertado, a saudade de anos havia se desfeito do peito. Sentia-se mais confortável com ela, como se tivessem uma ligação que além da carne. Uma ligação de espírito. Sempre quando estavam juntos sentiam-se mais jovens e aquilo era bom.

Robin observou uma mulher sair da casa, os olhos mortos eram angustiantes e sua pele pálida, tenebrosa. Ela sorriu para sua avó, que por sua vez acenou um adeus. O pai de Robin nem notou quando a mulher esbarrou nele, e mesmo cambaleando para trás, não ligou para a presença dela.

— Ele anda tendo aqueles sonhos, você sabe o que fazer — disse seu pai para a avó, depois olhando para ele, aproximou-se para entregá-lo sua mala. — E você — Tocou seu rosto com as mãos. — Tome cuidado, certo? Voltarei para buscá-lo no fim das férias.

Robin assentiu, tomando uma de suas malas.

No amanhecer, Robin acordou desesperado após um sonho estranho. Havia nele o garoto do poste, além de pessoas mortas. Sempre sonhava com elas e aquilo o deixava com medo. Por isso ia para sua avó, que inexplicavelmente conseguia tratar seus pesadelos.

— Não entendo, esses sonhos não fazem o menor sentido — disse Robin, abocanhando um pedaço de pão.

Sua avó também sentada à mesa o observava com carinho nos olhos. Os cabelos azuis combinavam com o tom escuro de pele, assim como os pequenos olhos cor-de-mel de Robin combinava com o seu. Os cachos castanho-escuros de Robin estavam comportados naquela manhã.

— Entenderá toda a vida quando for a hora — explicou a avó, com os olhos sobre seu rosto. — Ainda é jovem.

— Tenho dezesseis anos, e daqui a pouco, vinte e depois trinta.

— Dezesseis anos? A vida começará agora para você.

Robin sentiu um arrepio quando a olhou nos olhos. Seus pensamentos o levaram para a noite anterior. Na estrada. Observando o garoto.

Aquilo o fez ter uma leve enxaqueca. O que estava acontecendo com ele? Odiava se encantar por garotos que via uma única vez na vida, como suas paixonites de ônibus ou do fim de ano na escola, que sempre pediam transferência. E ele estava se sentindo assim, encantado por alguém que viu uma única vez e não saia de sua cabeça.

— Você parece perturbado, Robin — sua avó dispara, levantando-se da mesa. — Por que não pega sua câmera e vai fotografar o bairro? Existe uma casa abandonada no final da rua, sei que você gosta desse estilo gótico de foto.

Aquela era uma boa ideia.

Após o almoço, quando o céu esfriou, Robin caminhou pelas ruas do bairro de sua avó, resgatando antigas lembranças daquele lugar. Sua avó conhecia aquele bairro na palma da mão, morava nele desde criança e nunca mais quis sair dali. Mas Robin? Ele nunca saiu daquela rua.

 Seu olho curioso enxergava por trás da potente lente de sua câmera os pássaros nos telhados da vizinhança. Tropeçou no próprio cadarço solto. Ajoelhando-se para amarrá-lo, apoiou-se com uma mão no chão, e seus pensamentos o levaram para outra dimensão.

Robin conseguia captar todos os detalhes de uma mansão sendo incendiada, gritos e o garoto do poste. Ele estava encostado no mais uma vez num poste, vizinho à casa. Sorrindo. Um ensurdecedor grito o trouxe de volta para o mundo real. O corvo que batia suas asas e grunhia alto estava sobre a cerca branca da casa à frente.

Assustado, correu, mesmo com o cadarço desamarrado. Estava ofegante, mas ficou mais quando avistou a casa falada por sua avó. Não era uma simples casa, mas a ruínas de uma mansão. Novamente a imagem dos seus pensamentos. E aquilo causou-lhe uma tremenda curiosidade.

Em frente ao casarão abandonado, uma placa advertia com as seguintes palavras: NÃO ULTRAPASSE! Mas Robin não deu a mínima, e ultrapassou as fitas amarelas que cobriam o local.

Haviam múltiplas entradas que lhe serviam como porta, Robin adentrou, passando por cima dos destroços do local. Sentiu um calafrio no corpo, a escuridão era quase a mesma de quando fechava os olhos.

Robin levantou a câmera para fotografar. Seus cliques tornaram-se eufóricos a cada ângulo perfeito que encontrava. Os flashes não paravam. Seus dedos não paravam. Mas seu coração sim.

Boquiaberto, Robin conduziu a câmera por todo o corpo da pessoa à sua frente. Seus olhos piscaram contínuas vezes, perguntando-se se aquilo era real. Não conseguia acreditar no que via, mas queria muito. O garoto do poste. Do seu sonho. Da visão. Estava à sua frente com o mesmo sorriso.

— É proibido fotografias aqui.

Os lábios de Robin balbuciaram:

— Ma-Mas... você existe? — perguntou, incrédulo.

— Claro! — O garoto vestia um terno e tinha um relógio do bolso pendurado. — Não sou real para você?

Robin aproximou-se, e o tocou para ter certeza.

E sim, era real. O garoto era feito de carne e osso, e não era coisa da sua cabeça, como estava começando a achar. Ele existia, Robin podia tocá-lo.

— Sou Felix — disse o garoto, sorrindo. Aquilo deixava Robin arrepiado. — E você?

— Ro-Robin — gaguejou, encantado nos olhos azuis de Felix.

— Tudo bem, Ro-Robin — Felix se aproximou mais de Robin, fazendo-o tremer. — Você não segue regras, não é?

— Algumas — Robin tentou se acalmar do susto e da tensão que Felix lhe causa. — Por quê?

— Aqui é uma área restrita, não se pode fotografar, muito menos ficar aqui.

— Então porque está aqui? — rebateu Robin, encontrando a feição perdida de Felix.

— Tem razão — Felix vira-se de costas para ele e soltando um gemido que mais parecia ser um “meeh!”. — Esse é meu lugar, adoro sentir o cheiro do nada entupir minhas vias respiratórias e invadir meus pulmões.

— Que melodramático. — Robin o observou de mãos para trás.

— Mas não tão quanto a história desse lugar.

— O que houve aqui?

Felix voltou a olhá-lo.

— Mortes.

Os olhos de Robin se estreitaram.

— Várias mortes — prosseguiu Felix. — Estamos sobre as almas daqueles que um dia moraram aqui. Mas isso é um caso beeem antigo.

— Antigo quanto?

— Décadas atrás. Uma família morava aqui. Depois o fogo resolveu se apropriar. E destroços foram o que sobraram.

— Como sabe disso então? — indagou Robin.

— Me contaram...

Robin não sabia o que, mas Felix tinha algo estranho que cobria seu corpo, algo obscuro. Tão obscuro e melancólico quanto aquela história. E Robin era tão curioso, queria saber mais.

— Onde você mora? — disparou, de repente.

— Esse é meu lugar, como já disse. É o que precisa saber. Sempre me encontrará aqui.

            Robin riu.

— Por que eu iria querer encontrá-lo novamente?

Felix se aproximou o bastante para sentir a respiração do garoto.

Tocando-lhe o queixo, respondeu:

— Por que eu conheço esse olhar — Seus olhos azuis brilharam. — Está gamado em mim.

Encantado em seus olhos, Robin desvencilha de sua mão.

— Você é bem modesto, não?

— Sou verdadeiro. Me diga se estou mentindo.

Robin ficou em silêncio.

Era verdade que estava gamado naqueles olhos azuis, no rosto pálido e no estilo formal que Felix tinha. Ou seja, gamado pelo garoto. Mas não queria assumir. Não o conhecia direito.

O silêncio parecia música, e seus olhares, um espetáculo. Até que as írises dos olhos de Felix se agitaram, como se pressentissem algo. Robin sentiu seu braço sendo apertado quando Felix o beijou na bochecha de repente.

Sua respiração parou.

— O que fazem aqui?! — gritou o policial que adentrou o lugar. — Virem-se agora!

Pelo ângulo do policial, parecia mesmo que seus lábios haviam se encontrado. E que estavam compartilhando do mais intenso beijo.

— Vocês não têm vergonha? Vão fazer sem-vergonhice em outro lugar, não aqui. Vamos, fora!

Perplexo, Robin olha para o rosto amistoso de Felix, que assente para ele ir embora.

— Vá! Sempre me encontrará aqui — sussurrou para Robin.

E assim aconteceu.

Todas as tardes, Robin fugia de sua avó para se encontrar com Felix naquelas ruínas. Antes do anoitecer, voltava para casa, e isso durou a metade de suas férias. E consumiu a maior parte do seu coração. Dentro daquela mansão, encontrou algo que fazia seu coração bater mais forte. Felix sempre estava lá para Robin, era o que sempre falava em suas partidas.

— O que está fazendo? — perguntou Felix, observando Robin virar a câmera para seus rostos.

— Se chama selfie — explicou Robin. Durante aquele tempo, aprendeu que Felix não sabia quase nada do mundo atual, como se não saísse daquela cidade. Ou daquela mansão.

— Interessante. — Felix levantou-se, e após limpar as mãos nas calças pretas, estendeu para Robin.

Robin estremeceu com o toque.

Novamente não estava na realidade. Visões tomaram conta de sua mente, mostrando mortes. Mostrando as mortes naquela mansão. Sentiu o cheiro da brasa, e o quanto queimava na sua pele. Sentiu dor.

— O que houve? — perguntou Felix, esboçando uma estranha preocupação.

— Nada demais, só um calafrio.

Robin levantou-se, observando Felix entrar em uma sala.

— Ei! Para onde vai? — Sua pergunta sumiu na escuridão.

Seguiu Felix. Haviam mais destroços por dentro da mansão sucumbida no abandono.

Robin encontrou Felix numa sala com velas acessas, aquilo ficou mais estranho ainda. Havia uma fileira de fotografia, várias dela tinha o rosto de alguém borrado. Robin tomou em mãos uma fotografia e notou a antiguidade que era. Mas o que o surpreendeu foi nela estar sua avó. Ele conhecia aquela imagem, havia visto na cabeceira da cama dela. Mas nela havia mais alguém, o alguém de rosto borrado.

— Que lugar é esse? — perguntou, amedrontado.

— Eu sempre visito aqui — respondeu Felix, com a voz rouca. — É triste ver essas fotografias.

— Por que? — Robin chutava o chão de entulho.

— É muito vintage, não acha?

— Você sempre arruma uma forma misteriosa de responder minhas perguntas.

— É o que acha? — Felix se aproxima, Robin recua.

O sorriso no seu rosto era safado, e Robin entendia que sim. Não se afastava por medo, mas algo o puxava para trás contra seus desejos, como se fossem dois imãs. O que mais queria era lutar contra aquela misteriosa força e sucumbir ao corpo emortecido de Felix, em um real beijo ardente.

O corpo de Robin se enrijeceu quando pisou em algo amolecido. Algo que lhe tirou daquele mundo e o fez ver novamente as mortes. O incêndio. O rosto pálido de olhos fundos do garoto a sua frente com um olhar fatal de desejo.

Ao abrir os olhos, descobriu no que seus sapatos estavam pisando. Berrou de desespero ao perceber que havia uma perna debaixo dos seus pés. Estremeceu. Seu sangue congelou em um pavoroso sentimento de que pisava em alguém morto. E aquilo quase o fez cair para trás se não fosse Felix lhe amparando.

— Não me diga que isso é uma... — Robin ainda não acredita.

Felix examina o a perna e suspira, assentindo.

Sim, era uma perna. A perna de alguém morto debaixo daqueles escombros. Alguém que a perícia não foi capaz de encontrar. Um corpo de décadas atrás, possivelmente conservado, e Robin não tinha ideia de como era possível. Estava em êxtase.

— Ligue para a polícia! — ordenou Felix, olhando meticulosamente para a parte do corpo morto.

Robin podia sentir o seu coração parado. Sem batidas, sem agitação. Felix estava perplexo. O que era mais estranho do que o jeito que ele olhava para a perna do corpo sucumbido. Parecia algo que o deixava emocionado.

— Não estou com o celular. — Robin também observava a perna.

— Então vá para casa e ligue — Felix parecia muito querer que a polícia encontrasse o corpo. O que não era estranho, pois era o certo a se fazer. — Por favor.

Robin assentiu.

Mas antes de partir, Felix segurou sua mão.

Seus olhos se encontraram em uma profunda mistura de sentimentos que estranhamente Robin sentiu partir do olhar mortífero de Felix. Novamente o arrepio, mas dessa vez, nenhuma visão.

Felix o puxou ao seu encontro, suas mãos frias tocaram seu rosto e seus lábios se encontraram em um profundo e intenso beijo. O beijo que Robin tanto queria. Seu coração disparou com o toque. Os lábios de Felix também eram gelados, e Robin, podia sentir que seu corpo também congelava com o beijo. Os olhos de ambos se descobriram como se fosse a última vez que se encontrariam.

E definitivamente foi.

Aquela foi a primeira vez que Felix não falou que sempre estaria ali para Robin.

Sentado no sofá, Robin observava a selfie que haviam tirado dias atrás.

Após denunciar o corpo, Robin nunca mais teve acesso à mansão, pois a polícia estava vistoriando o local vinte e quatro horas por dia, agora, à procura do que causou o misterioso incêndio na mansão. Um inquérito foi aberto, uma nova averiguação trouxe à tona o antigo possível crime. Robin não tinha como ver a mansão, muito menos a Felix. O garoto do poste sumiu completamente do bairro. O que deixou Robin totalmente devastado, pois seus pensamentos só conseguiam relembrar de Felix. E do seu beijo gélido.

— O que tanto te entristece? — perguntou sua avó.

Robin suspirou profundamente.

— Conheci alguém que simplesmente sumiu.

Sua avó deu uma risada abatida.

— Conheço bem esse sentimento — disse, observando o garoto. Notou a foto ao peito do garoto. — Ele era bonito?

— Ele era o que eu nunca imaginei que poderia me apaixonar.

Robin virou a foto para sua avó e notou um brilho no olhar dela ao se deparar com a imagem. O brilho tornou-se uma lágrima que banhou sua bochecha gorda. Os olhos enrugados apertaram-se fundo. Sua avó suspirou e, enxugando a lágrima, deixou a sala.

O garoto não entendeu, mas quando sua avó voltou, tinha um porta-retrato afundado ao peito, do mesmo modo que o neto. O corpo de Robin estremeceu antes da mulher virar a fotografia e se deparar com o rosto jovial de Felix, que se encontrava ao lado de uma versão jovem de sua avó.

Aquela foto, ele já a viu.

Era Felix. Sempre foi.

Mas como?

Robin entrou em um completo desespero, assustado. Espantado com a fotografia.

— Acalma-se — pediu sua avó, aproximando-se com o retrato. — Há como entender a vida. Sempre há.

O garoto procurou palavras, mas só encontrou múrmuros incompreensíveis. Então sua avó voltou a falar:

— Robin, sei que pode parecer estranho e assustador — Sua avó começa como se fosse contar uma história. — Mas Felix precisou de você.

— Então... — Ele não conseguiu falar, mas sua avó compreendeu. E assentiu.

— Felix morreu há cinquenta anos, naquela casa, debaixo daqueles escombros. Sua família foi achada, mas ele não. O corpo que você encontrou era o corpo de Felix. Ele precisou de você para encontrá-lo, pois por si só não podia fazer. E você o ajudou, libertando-o desse plano. A paixão salvou sua alma.

Robin tremia.

— Mas por que eu?

— Depois de mim, você é o único médium da família. E um dia eu prometi que mesmo depois da morte, meu sangue encontraria o dele. E como não fui chamada por ele, você foi. Você tem meu sangue. E o encontrou.

O suspiro de Robin foi profundo.

— Calma — Ele respirou fundo. — Você e Felix eram namorados?

Sua avó gargalhou.

— Não, definitivamente não — respondeu, causando um alívio em Robin. — Felix era meu melhor amigo... e tinha escolhas diferentes, se é que me entende.

— E eu nunca mais o verei? — perguntou ele, triste.

— Não nesse plano — respondeu ela. — Mas com certeza ele encontrará sua alma após a morte. E a eternidade unirá o que foi separado.

Robin tocou seus lábios, pôde sentir o frio e lembrar do beijo entre eles.

Eu beijei uma alma penada, pensou, tristemente perplexo.

— E esse é o fim? — perguntou, intacto nos pensamentos.

Sua avó tocou sua mão, levando seus pensamentos para outra dimensão. Ele pôde enxergar um lugar puro e harmonioso. Em uma árvore, Felix estava sorrindo. Aquilo causou-lhe uma felicidade repentina. Felix acenou para ele e sumiu. O lugar sumiu. E Robin voltava para seu plano atual, longe do garoto do poste.

— Esse é o começo, meu neto — respondeu sua avó.