Banho de Lua (Degustação)

Banho de Lua (Degustação)

Banho de Lua (Degustação)

Três toques de buzina: era esse o nosso sinal.

Passando a alça da bolsa pelo braço, me despedi dos meus pais sem entrar no quarto deles. “Juízo”, disseram. Logo que abri a porta da entrada de casa, vi a caminhonete surrada e um tanto quanto amassada, que apelidamos carinhosamente como queer móvel. O carro estava praticamente lotado. Atrás do volante estava Lua, que sorriu quando me viu e apontou a carroceria. No banco do carona estava Ariel. Na parte em que tradicionalmente se carregava cargas, estavam três adolescentes: Noah, Camila e Ian. E eu era a quarta.

 

— Não faz sentido nenhum. – Noah dizia enquanto eu me sentava ao seu lado, com as costas apoiadas à lataria fria.

— O que não faz sentido? – Perguntei dando três tapinhas na divisão da cabine para a carroceria. Mais um dos nossos sinais, significava que podíamos seguir nosso caminho.

— A representatividade LGBT+ na mídia. Toda vez que por milagre um grupo de amigos tem um personagem não hétero, ele é sempre o único – Dizia Camila – Não faz sentido mesmo.

— Quando que viada só anda com gente hétero, por favor mundo. – Soltou Ian ao deitar a cabeça sobre o colo de Camila.

 

E realmente, nosso grupo era a maior prova de que essa é uma ideia completamente errada. O queer móvel no momento estava carregando 6/8 do nosso grupo de amigos, coincidentemente (ou talvez não tanto), a mesma porcentagem era LGBT+.

Tudo bem, vamos a uma rápida identificação:

Lua – cisgênera, bissexual;

Ariel – homem transexual, gay;

Camila – cisgênera, lésbica;

Noah – gênero fluído, pansexual;

Ian – cisgênero, gay;

E eu, Analu – cisgênera, lésbica.

Laila e Dan eram a cota hétero, como Lua gostava de brincar. Estávamos quase chegando à casa de Laila quando Mila me cutucou o braço e disse baixinho:

— Ficou sabendo da Lua? – Assim que neguei com a cabeça, continuou – Tá solteira, finalmente. Achei que ia gostar de saber – Completou com uma piscadinha que fez meu estômago se revirar.