Uma pessoa cinza num mundo azul e rosa

Ele, Ela, Elu?

Uma pessoa cinza num mundo azul e rosa

Nike estava deitade na cama sonhando acordade, como fazia na maior parte do tempo. Estava sem inspiração para pintar. O quadro branco a sua frente implorava por cores.

— Nicolas! Vem almoçar — sua mãe chamou.

Nicolas. Nike começou a detestar seu nome de registro desde que se descobriu gênero neutro. Aquele nome passava uma qualidade masculina que elu não gostava. Se ao menos tivessem escolhido um nome neutro...

Foi até a cozinha. Sua mãe havia preparado arroz, feijão, omelete de queijo e presunto, e uma salada de alface e tomate. Mesmo tendo na mesa tudo que elu gostava, só o nome que a mãe usou já havia deixado seu dia mais cinza (não, cinza não — essa era a cor que elu usava para a qualidade neutra de seu gênero; o dia estava na verdade azul, bem azul, azul padrão).

Nike se sentou à mesa. Sua mãe fez o mesmo. Parecia animada naquele dia. Prepararam seus pratos e começaram a comer. Sentaram em cadeiras opostas, ela de frente para elu, mas Nike nem olhou para ela.

— Nicolas, você já está pensando no que vai fazer da vida? Sei que ainda falta o próximo ano, mas é bom começar a se planejar.

Elu já havia dito algumas vezes que queria seguir carreira nas Artes Cênicas e Plásticas (só não mencionava que queria abordar a diversidade sexual e de gênero nelas). Mas era bem provável que sua mãe não enxergava as artes como algo lucrativo, e desejava que até o próximo ano elu quisesse fazer áreas como medicina ou engenharia.

— Como já falei, — disse, tentando não ser agressive — quero seguir algo totalmente voltado para as artes. Me identifico com pintura e teatro. E nosso país está precisando de mais artistas, e artistas fazendo a diferença.

Elu não viu, mas percebeu pela visão periférica sua mãe acenando vagamente com a cabeça.

Após minutos de silêncio, ela disse:

— Acho muito bom que comece a faculdade já com dezoito anos, afinal seu aniversário é em janeiro e as aulas sempre começam depois. Você vai poder tirar carteira e dirigir... — ela parecia tentar chamar sua atenção. — Vai poder beber — ela deu uma risadinha.

Coitada, isso eu já faço desde os treze anos.

— Que outras coisas pensa em fazer?

— Mudar meu nome de Nicolas pra Nike — disse após dar a última garfada no prato. Levou-o até a pia e ligou a torneira.

— Pode deixar aí, eu lavo.

— Depois você vai reclamar que ninguém te ajuda nessa casa.

— Tá tudo bem, querido. Eu fiz o almoço mais tarde também. Você já tem que sair pra escola.

Nike então olhou para o relógio na parede. Era verdade, elu já deveria estar saindo. Da porta do apartamento até a entrada da escola dava um percurso de uns dez minutos. Elu ficaria feliz em morar perto da escola se a mesma não fosse tão insuportável (traduzindo: azul e rosa).

Atendeu ao pedido da mãe e foi para o quarto. Já tinha tomado banho e arrumado sua mochila, restava apenas vestir o uniforme. Elu gostava do uniforme, pois as camisetas e calças eram idênticas tanto para meninos quanto para meninas. Só faltava ter saia só para meninas e a camiseta delas ter um decotinho.

Como saiu apressade de casa, Nike não chegou a passar um lápis no olho, como fazia com frequência. Ao menos o esmalte preto ainda estava intacto nas unhas das mãos. A aparência andrógina fazia elu se sentir confortável e também mais neutre.

Quando se descobriu pela segunda vez (a primeira foi sua atração por meninos), decidiu "se neutralizar". Mudou o nome, mudou a aparência, e por fim fez a mudança mais sofrível: o pronome. Ah, o pronome...

Nike não se sentia contemplade pelo pronome ele, o pronome que foi usado desde seu nascimento pelas pessoas ao seu redor, o pronome que lhe ensinaram ser o correto para elu. E nem pelo pronome ela.

Elu então decidiu se rebelar contra a língua. Pesquisou na Internet e descobriu elu — isso depois de encontrar elx e el@, que elu não achava ser pronunciáveis.

Seu cotidiano ao dizer o pronome incluía comentários como:

— Que pronome? — disse um colega fazendo uma careta de escárnio. — Elu? Elu não existe, só existe ele ou ela. Tudo isso pra chamar a atenção?

Atenção de quem, babaca?

— Garoto, ele te incomoda? — disse uma colega parecendo irritada (por qual motivo nem elu sabia). — É só uma palavra.

Se é só uma palavra, por que não aceitam elu?

— Querido, — disse sua professora de Português com um sorriso triste e um olhar piedoso — sei que é difícil ser diferente. Mas às vezes precisamos... ceder. Aceitar certas coisas. Não podemos ser tudo que queremos. Quem sabe algum dia nossa língua aceita um pronome neutro? Línguas podem mudar. Talvez a nossa mude daqui uns... 50 anos?

Eba, vou esperar 50 anos até que me respeitem!

— Aí, migo — disse Beatriz, a menina que sentava ao seu lado e agia como se fosse sua melhor-amiga-da-vida-toda (ela devia ser uma daquelas meninas hétero que adoram ter meninos gays como pets). — Na minha cabeça você é menino e pra mim é mais fácil te chamar de ele. Faz essa exceção pra mim, faz?

Você nem é minha amiga pra eu fazer exceções...

Felizmente, sua escola era tolerante com gays, lésbicas e bissexuais. Não era permitida nenhuma discriminação contra meninos e meninas que não eram hétero. Uma evolução bem recente, mas maravilhosa. A tolerância com meninas e meninos trans estava em andamento (bem lento, por sinal). Agora, falar de pessoas não-binárias...

A única aula que fazia tanta separação de gênero era a Educação Física. Nike acaba se sentindo obrigade a sempre ir para os times masculinos. Seu professor, no entanto, costumava tratá-le como um coringa, e permitia que elu jogasse nos times femininos às vezes. Parecia ser um ato altruísta (Nike não sabia se era por causa do gênero ou se na cabeça do professor um menino gay era "meio menina") (considerando que o professor era evangélico, não deixava de ser uma possibilidade).

E outra coisa que fez Nike odiar o Ensino Médio foi a retirada das aulas de Arte. Foi uma das piores notícias que elu recebeu na vida.

Mesmo havendo dois gays e uma lésbica em sua sala de doze estudantes, Nike não tinha uma real amizade com ninguém. Sentava aos fundos e não se enturmava. Ninguém da classe fazia questão de chamá-le de elu. Uma ou outra pessoa falava o nome correto.

A Internet era igualmente solitária. E elu não teve sorte nem com os famosos aplicativos de relacionamento. Acabou se conformando em se apresentar como homem, e buscava relações só com meninos. Mas as conversas não duravam mais de um dia. E nas poucas vezes que falou sobre seu gênero, ou foi zoade, ou a pessoa desaparecia segundos depois.

Um dia no intervalo, elu estava no seu canto habitual; uma mesa circular de madeira branca com quatro cadeiras logo na frente da cantina. Estava sozinhe, como sempre. Pela visão periférica percebeu um trio mais à esquerda. Três jovens muito diferentes entre si — nos tamanhos, nas cores de cabelo, nas aparências, e nas corporalidades. Pareciam olhar para elu, cochichar, olhar de novo, e de novo sussurrarem algo.

Estava prestes a se levantar irritade e ir para outro lugar mais isolado, quando o trio se aproximou. Tentou disfarçar, olhando para algum ponto no céu à sua direita. Alguém cutucou seu ombro.

— Oi — disse uma voz alegre.

Nike olhou e identificou a pessoa como uma garota. Tinha olhos verdes e cabelos castanhos que iam até os ombros. Não havia como ignorar, então elu respondeu:

— Oi.

— Podemos sentar aqui com você? Queremos conversar contigo.

A última vez que uma moça quis conversar com elu foi para falar de sua igreja e que "Deus poderia torná-le um menino feliz". Por isso Nike decidiu atacar.

— Se é pra falar de igreja, não quero ouvir e não perca seu tempo me enchendo o saco.

A pessoa deu uma risadinha e olhou por um instante para as outras duas.

— Bom, Dani segue o evangelismo. Mas não viemos aqui pra falar de religião. Acredite, viemos em paz — fez o sinal da paz com uma mão.

Nike se sentiu um pouco mais confortável.

— A mesa é de todo mundo. Podem sentar.

— Obrigado.

O trio sentou-se. Foi então que Nike reparou melhor nas outras duas pessoas. Uma tinha cabelos longos pintados de branco e olhos castanhos, e era a mais alta dali. A outra era a menor e mais gorda, tinha cabelo crespo pintado de um tom leve de loiro, e sua aparência era tão andrógina que Nike não soube dizer se era menino ou menina.

— Bem, sem mais delongas, vamos nos apresentar. Eu sou Laura — estendeu a mão para Nike, que cumprimentou rápido. — Ariel — disse, virando a cabeça para a pessoa de cabelos brancos. — E Dani — disse olhando para a pessoa andrógina. — E você é Nike, né?

Elu apenas acenou. Alguma voz no interior de Nike gritou para elu que um milagre havia ocorrido. Que elu estava em boa companhia. Entre iguais.

— Vocês... também são...

— Pessoas não-binárias? — falou Ariel. Tinha uma voz grave charmosa. — Eu e Laura, sim. Dani ainda está se descobrindo.

Nike podia ter pulado de felicidade e vomitado arco-íris se fosse do tipo que exibisse suas emoções e tivesse engolido purpurina.

E então se atentou ao gênero de Dani. Sempre achou que pessoas como elu soubessem o que são desde crianças, mesmo antes de entenderem que existe gênero (embora a concepção de gênero imposta pela sociedade fosse errada).

— Como assim está se descobrindo?

— Bem...

— Ah, outro dia explico — disse Dani, impaciente. Até sua voz era andrógina, mas Nike concluiu que Dani era do “sexo masculino”.

Laura retomou o diálogo.

— Bom, você já adivinhou por que estamos aqui, por que nos aproximamos de você. Talvez você não conheça a gente, mas somos do Ensino Médio. Eu e Ariel somos do terceiro ano. Dani é do primeiro.

Caramba! Acabo de conhecer essas duas pessoas e elas vão me deixar até o fim do ano.

— Eu... nem sei o que dizer — elu se controlou pra não chorar de alegria. — Pensei que eu estava sozinhe aqui.

— Também pensava isso até esse ano — disse Ariel. — Eu e o Laura já tínhamos amizade desde o primeiro ano. E juntos nos descobrimos não-binários. É uma longa história, outro dia contamos.

— Vou adorar ouvir! Você disse “o Laura”?

Laura deu uma risadinha.

— Achou que só você adotasse linguagem diferente da comum?

— Pera, então você é homem? Homem trans?

— Hmmm... não — ele disse com uma careta. — Na verdade me considero sem gênero; pessoa agênero. Mas gosto do pronome ele. Não me importo que me chamem de ela, ou um pronome novo, mas se perguntaram qual prefiro, respondo ele.

— Caramba! — Nike estava fascinade. E então se lembrou da importância da linguagem. — Ah! Olha como sou, nem perguntei os pronomes de vocês.

— Tudo bem — disse Ariel. — Uso tanto ele quanto ela. E meu gênero é andrógino.

— Certo. E você, Dani?

— Olha, pessoa, mesma coisa que Ariel. Tem dias que gosto mais de ela, tem outros que gosto mais de ele. E estou começando a considerar usar um pronome novo também. Elu, talvez.

— Entendi. Ah, já que falamos de gênero, qual a orientação sexual de vocês? Se quiserem responder, claro.

Laura parecia muito animado pra responder. Ariel e Dani apenas sorriram.

— Bom, eu me considero pan. Não acho gênero algo importante na minha atração sexual. Quando eu ainda achava ser menina, tive fases hétero, lésbica, e bi. Só bem recentemente que me encontrei na pansexualidade. É isso, vou parar porque se não o intervalo acaba.

— Eu me atraio mais por homens, mas raramente me atraio por mulheres — disse Ariel. — Não sei como me identificar, então, no momento, não falo da minha orientação.

— Sempre me considerei lésbica — disse Dani. — Me criaram como menina, no meu documento está "sexo feminino", e eu até hoje só me atraí por meninas. Mas agora que estou questionando meu gênero, também sigo sem rótulo.

— Gente... Somos todes desviantes então — disse Nike, mais fascinade ainda.

— Prefiro subversives! — afirmou Laura.

— E você, Nike? — perguntou Ariel com muito interesse. — O que você é?

— Eu? Ah... Me sinto estranhe quando digo que sou gay atualmente. Pois a definição de gay é homem que gosta de homem. Eu gosto de homens, mas não sou homem. Daí complica tudo. Será que não tem uma orientação sexual para um gênero neutro que gosta de homens?

— Hm, não sei. Eu poderia procurar numas comunidades não-binárias que tem no Tumblr.

— Sabe, esse é o lado positivo das orientações bi, poli, pan, oni, enfim — disse Laura. — Qualquer pessoa pode usá-las.

Ariel ia dizer algo quando o sinal tocou.

Antes aquele sinal era música para Nike, pois significava que havia sobrevivido metade do horário da escola. Mas naquele dia foi um lamento. Não queria que aquele momento tivesse acabado. Queria mais. Nem lembrou que ainda era segunda-feira e que se encontraria com aquele trio maravilhoso mais vezes na semana.

— Mas já? — Laura devia sentir o mesmo que Nike.

— Ah, que merda. Agora é Física — Dani resmungou.

Levantaram-se e foram caminhando até o prédio principal, aonde iriam se separar e ir para suas salas.

— Esperem! Vamos fazer um grupo no WhatsApp. Trocar números. Me adicionem no Facebook. No Twitter também. Vocês têm Instagram, né?

— Nike! — Laura parou elu segurando seus braços. — Respira fundo. Isso. Agora solta. Pronto? Anota aí meu número, te adiciono na nossa seita secreta não-binária.

Nunca antes em sua vida Nike havia anotado tão rápido o celular de alguém. Agora com o número de Laura, elu tinha em sua lista de contatos dois números (o outro era de sua mãe).

No minuto seguinte o quarteto se despediu e se separou. Nike passou o resto do dia pensando nas pessoas que acabara de conhecer, sentindo um êxtase que não sentia há anos. Era quase como estar numa ilha e anos depois encontrar outra alma viva.

Reuniram-se na saída brevemente. Laura, Ariel e Dani tinham seus compromissos e não puderam ficar conversando.

Em casa, ligou o wi-fi e já digitou para Laura. Só duas horas depois que ele respondeu e logo em seguida adicionou Nike num grupo chamado Batatinhas.

Nike às vezes achava estar sonhando. Quais eram as chances de ter outras três pessoas como elu, ainda mais na mesma escola?

Os meses seguintes foram reconfortantes. Mesmo com quase todo mundo ao redor ignorando seu gênero e sua linguagem, Nike agora tinha um grupo para desabafar, um grupo que dividia o mesmo sofrimento. Claro que não falavam todo dia sobre isso. Mas falar disso com pessoas que entendiam ajudava bastante.

Em junho, um pouco antes das provas, Nike estava no Facebook e recebeu mensagem de Laura. Era apenas um convite para um evento chamado "Piquenique não-binário no Ibirapuera".

Seu coração deu um salto. Sim, elu havia lido corretamente: Piquenique não-binário. Não-binário!

Era uma sexta-feira. E o evento seria no domingo. Nike ficou eufórique por aqueles dois dias até o domingo prometido.

No dia, Nike vestiu sua camiseta mais bonita, uma calça jeans, uma saia preta, e se maquiou. Levou uma garrafa de Coca-Cola e dois pacotes grandes de Ruffles.

Infelizmente, Laura e Dani não poderiam comparecer. Ariel disse que encontraria Nike lá.

Após se perder, elu avistou uma roda envolta de uma toalha colorida cheia de comidas e bebidas. E então avistou Ariel, que estava mais atraente do que de costume. Nike não sabia dizer se era o cabelo em coque, ou a maquiagem, ou a barba aparada. Cumprimentou todas as pessoas — quinze no total — com um aceno e sentou-se ao lado de Ariel.

Uma pessoa rechonchuda de óculos e cabelos pretos longos se aproximou delu.

— Seja bem-vinde. Sou a Gabi. Aqui fazemos o seguinte esquema: colamos essas etiquetas no peito com o pronome que usamos — e lhe entregou uma etiqueta com uma caneta. Elu escreveu e colou.

Observou com fascinação as etiquetas das pessoas ali presentes. Pessoas que usavam ele, ela, e ambos. Outras que usavam elu. Uma que usava ile, outra que usava el, e uma outra que usava éle.

Então olhou pra etiqueta de Ariel. Estava escrito elae. Ariel percebeu e disse:

— Me inspirei em você nessa coisa de adotar um pronome novo. Queria algo que misturasse os pronomes, então pensei em elae. Só não gostei de “elea” porque ficaria igual ao nome Elia, e poderia ser confuso.

— Caramba! Fico feliz por essa decisão sua, de verdade. Mas sabe que...

— As pessoas não vão respeitar. Eu sei. Pelo menos aqui respeitam.

— Ah, e você usa também qual artigo? E qual final de palavra?

— Decidi adotar artigo oa, e final de palavra também. Não quis ao porque não queria que confundissem com o advérbio. E no final ficaria parecido com ão, seria zoado até.

Nike não demorou para socializar. Ficou emocionade com a diversidade ali presente. Gente de muitas identidades e vivências, com muitos gostos e planos para o futuro. Foi um domingo de piadas, risadas, troca de experiências e emoções. Talvez o melhor domingo de toda sua vida.

Chegou em casa no começo da noite. Estava tão inspirade que pintou um quadro novo cheio de cores. Havia sido um dia colorido. Não apenas azul e rosa, mas também cinza. E amarelo, verde, roxo, preto, enfim. Dormiu pela primeira vez sentindo-se alguém que podia existir naquele mundo.

Elu acordou cedo no dia seguinte. Foi até a cozinha tomar café. Sua mãe estava sentada à mesa olhando algo no celular.

— Bom dia, mãe.

— Bom dia, Nike.

Elu demorou uns segundos para entender que sua mãe, pela primeira vez, havia falado o nome que elu pediu muito que ela usasse. Ela continuou distraída no celular. Nike tomou café no quarto. Sua turma já estava online no WhatsApp e elu dividiu logo sua alegria.

Chegou a hora do almoço.

— Nike, o almoço está pronto.

O almoço daquele dia foi um dos melhores que elu teve. Terminou, ajudou na louça, e ficou pronte para a escola.

— Mãe, tô saindo. Até mais tarde.

— Até, Nike. Boa aula.

Elu desceu até o térreo e saiu. Caminhou confiante e um pouco sorridente. O dia estava ótimo (traduzindo: cinza).